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Relembrando Yolanda

Colunista Frederico Tebar publica entrevista feita com Yolanda Bassitt em 2012

A notícia do falecimento de Yolanda Bassitt alastrada na manhã de quarta-feira pegou todo mundo de surpresa. Aos 85 anos a matriarca dos Bassitt era sinônimo de energia e vitalidade. Mais que isso, carregava a história de uma mulher de vanguarda que sempre soube se empoderar. A melhor maneira de homenagear essa grande mulher é relembra-la. Assim publico aqui uma entrevista que fiz com Yolanda, há quase sete anos. O bate-papo foi em sua famosa estância, onde conversamos por horas.

Introdução

Yolanda Bassitt sempre foi uma mulher a frente de seu tempo. Sua coragem e dinamismo a colocaram em destaque na história de Rio Preto. Foi a primeira e única mulher a presidir a Acirp, o Harmonia Tênis Clube e a Exposição Agropecuária. Também foi presidente do Rotary, secretária municipal, empresária e acima de tudo, uma personagem de posições firmes e conduta admirável. Parafraseando Chico Buarque, “Eternamente Yolanda”.

 

Qual foi seu primeiro emprego?

Foi aos 16 anos de idade. Eu dava aulas de piano para crianças na cidade de Lins.

 

E quando entrou para o mundo dos negócios?

Em 1977, quando fiquei viúva. Nesta época assumi os negócios agropecuários da nossa família, com foco na criação de gado e plantação de café e laranja.

 

Hoje a mulher está em alta, mas não foi sempre assim. Como a senhora se impunha no passado, por exemplo, como uma empresária na presidência da Bacitrus?

Ouvindo os funcionários. Essa é a melhor maneira de aprender e se fazer respeitada.

 

A senhora foi a primeira mulher a presidir a Acirp. Também presidiu o Harmonia Tênis Clube e a Exposição Agropecuária, cargos que até hoje só foram ocupados por homens. Sempre se sentiu confortável nestas posições?  

Perfeitamente confortável. E te digo por quê. Na presidência da Acirp formei uma diretoria jovem. Foi a primeira vez que a juventude da cidade se viu engajada em causas associativas. Mesmo sendo ocupações diferentes, o propósito de todos esses cargos sempre foi o progresso.

 

Em 1995 a senhora idealizou a Finetur, uma feira de negócios gigante para a época. Por que esses projetos grandiosos não têm sequencia depois que mudam as gestões?

Era um evento moderno, de proporções enormes para os negócios e turismo de nossa região. Participaram 17 países, com seus embaixadores. Eram 22 mil metros de feira, com inovação por todos os lados. Foi a partir de lá que o turismo rural se desenvolveu em cidades como Santa Fé do Sul, Jales e muitas outras.  Abrimos caminhos para importação e exportação, até então complicadas. Conseguimos até um estande do Itamaraty, que dava todo o suporte. Uma pena que durou apenas três anos.

 

Por que acabou?

Infelizmente com o fim de uma administração, o novo gestor acaba “matando” os projetos de seu antecessor. Isso é uma coisa horrível que inevitavelmente acontece no Brasil, tanto na esfera federal, como na estadual e também na municipal. Fui muito cobrada quando a Finetur acabou, depois de tantos esforços para idealizá-la.

 

De 2001 a 2004 a senhora foi secretária municipal de Desenvolvimento Econômico de Rio Preto. Foi uma boa experiência?

Foi uma ótima experiência. Trouxe para Rio Preto o Banco do Povo. Demos sequência ao desenvolvimento dos distritos industriais Ulisses Guimarães, Carlos Arnaldo e Waldemar Verdi, para que muitas empresas pudessem se instalar com a estrutura necessária.

 

Direta ou indiretamente a senhora sempre esteve envolvida com política. Mesmo recebendo muitos convites, por que nunca se candidatou?

Por que meu “estopim” é curto. Vendo algo errado não saberia negociar. E hoje ser político é desenvolver a arte de negociar, muitas vezes em interesse próprio. A verdade é que meu temperamento não é compatível a isso. 

 

Nas eleições passadas seu filho Allim se candidatou a prefeito na cidade de Mirassol. A senhora o incentivou ao desafio?

Não. Como mãe apenas apoiei, mas não incentivei.

 

Estamos em um ano eleitoral. A senhora pensa em declarar apoio a algum candidato?

Não vou declarar apoio a ninguém.

 

Ainda sobre política: por conta de sua amizade com Paulo Maluf muitos lhe rotularam como “malufista”. Admite a amizade? E o rótulo?

Sou malufista sim. Mafuf é meu amigo e foi um ótimo governador e prefeito de São Paulo. Se ele não tivesse sido prefeito da capital, hoje a cidade São Paulo estaria um caos.

 

Como avalia o atual Governo Municipal?

Eu acho que o prefeito Valdomiro tem trabalhado e se esforçado muito. Rio Preto tem muitos problemas que não se resolvem do dia para noite, nem ao longo de quatro anos.

 

Qual o maior defeito da atual administração municipal?

Infelizmente o maior entrave da administração Valdomiro Lopes é a Câmara Municipal. Grande parte dos vereadores só pensa em promover homenagens visando os votos que podem render. Eles estão desmoralizados e assim, mais atrapalham que ajudam. Será que todos eles conhecem as diretrizes do município? Eu acho que não. Fico satisfeita quando vejo que promotores e juízes estão de olhos bem abertos para certas atitudes.

 

Comparada a outras cidades, considera Rio Preto um bom lugar para investir, abrir o próprio negócio?

Com certeza. Rio Preto é uma cidade quase realizada, uma terra pulsante, cheia de vida e que dá retorno.

 

A senhora é a matriarca de uma família numerosa. São cinco filhos, doze netos, fora os agregados. Prefere a casa cheia?

Sem dúvida, adoro. É sinônimo de alegria, vida.

 

Na família a senhora é conselheira ou dona da última palavra?

Infelizmente, a dona da última palavra.

 

Relembre um momento marcante, alegre de sua vida.

Foram muitos. Vou citar um não apenas meu, mas de toda a cidade. No ano de 1987 lançamos a escola de samba Sambacitrus. Era uma festa! Abríamos o Carnaval de Rio Preto com um grupo formado pelos funcionários da Bacitrus, por muitos amigos e pela nossa família.

 

De onde surgiu a ideia?

Foi um movimento interessante. Lembro que eu, Humberto Sinibaldi e Alice Roncato fomos ao Rio de Janeiro e nos reunimos com o carnavalesco Joãosinho Trinta. Foi ele quem deu todas as coordenadas. Meus filhos se animaram, foram até fazer curso em escolas consagradas. Alim era o Mestre Sala e Claudia, a Porta bandeira.

 

Muitos te admiram. E quem a senhora admira?

Acabo de ler a biografia da presidente Dilma Rousseff. Ela passou por altos e baixos, teve momentos difíceis e superou cada um deles. Admiro a coragem dela. 

 

Tem algum arrependimento?

Não tenho.

 

Como são seus momentos de prazer?

Sempre perto da família. Adoro música e leitura.

 

Quais são seus planos para 2012?

São planos empresariais, especialmente no campo do agronegócio. Sigo investindo em laranja, cana de açúcar e gado.

 

Qual conselho daria para quem quer ser esposa, mãe e mulher de sucesso?

Coragem, persistência e alegria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Yolanda

Por Frederico Tebar em 16/08/2018 às 23:35
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