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Saúde

Casos de meningite bacteriana disparam em Rio Preto

No ano passado a cidade registrou 120 casos da doença, apontada como a principal causa de surdez neurossensorial; crianças são responsáveis por 60% do total computado

Os números de casos de meningite subiram drasticamente em Rio Preto, no ano passado, chegando a 120 registros. O índice é alarmante se comparado ao de 2011, quando três pessoas sofreram com a doença. Já neste ano, até o mês de maio, foram registrados 52 casos, sendo 38 virais, cinco bacterianas e cinco bacterianas do tipo doença meningocócicas, que causaram três mortes. A maior preocupação dos especialistas é o súbito aumento de casos e o risco de sequelas, que variam, causando surdez, retardo mental, cegueira, entre outros distúrbios.

Segundo pesquisa publicada pela Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cévico-Facial, a meningite bacteriana afeta 35% dos adultos, dos quais, 4% destes sofrem com a surdez profunda bilateral. “O cérebro e a coluna espinhal são órgãos de extrema importância que controlam funções vitais em nosso organismo, podendo gerar deficiências ao paciente, por isso o diagnóstico precoce é essencial para saber qual o agente causador e os medicamentos para limitar a progressão da doença”, explica o otorrinolaringologista Vagner Rodrigues.

Willian foi diagnosticado com meningite há cerca de um ano e meio, mas sofre com as consequências da doença até hoje. “Infelizmente, o diagnóstico veio tarde demais. Mesmo com um ótimo tratamento, perdi 100% da audição em ambos os lados. Atualmente, consigo ouvir por meio de um dispositivo eletrônico chamado Implante Coclear.”

Entre os sintomas mais frequentes estão febre alta, fortes dores de cabeça, náuseas, rigidez corporal e até convulsões. Os grupos de risco são formados por crianças de até cinco anos, jovens adultos na casa dos 20, mulheres gravidas, baixa imunidade, portadores de Aids e diabetes. Lugares fechados e com aglomeração também estão presentes na lista de risco por favorecerem a proliferação dos germes. O diagnóstico pode ser obtido por meio de exames de sangue, exames de imagem e diagnóstico físico e o método de prevenção mais indicado é a vacinação meningocócica, vacina contra a papeira, vacina antipneumocócica e vacina hib. Em Rio Preto, a cobertura vacinal está em 66%.

O médico Vagner Rodriguez ressalta que após a contaminação é necessário fazer exames auditivos como audiometria, audiometria de troncoencefálico, otoemissões acústicas e tomografia, para certificar quais os níveis de audição e possíveis danos. O cuidado com os ouvidos pode ajudar a prevenir a doença, porque até mesmo uma otite (infecção do canal atrás do tímpano) pode ocasionar a meningite, por conta da localização da membrana que está próxima ao ouvido médio. A doença pode provocar também sequelas neurológicas na primeira fase da infância.

 

Por Getúlio Salvador em 12/07/2018 às 23:59