Psicologia

Errar é humano e perdoar também é!

Artigo escrito pela psicóloga Monica Soares fala sobre a necessidade do perdão e o quanto perdoar é extremamente difícil

Em um primeiro momento ao ler ou ouvir Errar é humano e perdoar é divino, podemos entender que apesar dos erros ser algo comum a todos, o perdão pertence a Deus (muitos inclusive dizem isso, apenas Deus perdoa). Mas também podemos entender que o erro é sim algo comum ao humano e que perdoar é divino no sentido de maravilhoso, perfeito ou que agrada a Deus. Perdoar é extremamente difícil, não há como negar... Perdoar é importante não só por convicções religiosas. Independente da crença de cada um mágoas, raiva e ressentimentos causam diversos problemas físicos e emocionais.

Sentimentos como esses pode nos levar a depressão, dificuldades de relacionamento, crises de ansiedade, fobias, insônia e diversas doenças psicossomáticas. Entretanto, não podemos confundir perdoar com conivência, injustiça ou “deixar para lá da boca para fora”. O perdão é ato de libertar-se de sentimentos e lembranças ruins em relação a si mesmo ou aos outros, dando espaço a bons sentimentos. Podemos não aceitar um ato, não concordar, fazer o que for necessário para corrigir, minimizar ou buscar justiça e seguir com a vida sem amargor ou revolta. Isso é perdoar.

Quando nos tornamos rancorosos nossa vida passa a ser em função de algo que nos faz mal, investimos nossa energia no outro e não em nós mesmos. Ao eliminamos a mágoa e o rancor passamos gastar essa energia com nós mesmos em possíveis projetos produtivos.

Algumas técnicas podem nos ajudar a perdoar. Inicialmente precisamos reconhecer e aceitar que estamos magoados, em seguida analisar profundamente o que aconteceu, descobrir o motivo real da mágoa. É importante esse entendimento pois podemos sentir muita raiva simplesmente porque estamos enciumados ou com nossa vaidade ferida.

Conversar ou dividir a mágoa com amigos, pessoas próximas ou preferencialmente com um profissional, ajuda muito, ao falarmos sobre nossos sentimentos podemos entendê-los melhor. Escrever ou mentalizar como seria a reconciliação, imaginar um diálogo apaziguador pode ajudar muito, até que se possa perdoar de fato.

Mesmo que o perdão não seja verbalizado ao outro, ele pode ser real. Pois perdoar não significa estar junto, e sim que os sentimentos negativos vivenciados não possuem mais importância. Perdoar nos torna mais humanos, no sentido mais nobre da palavra como aquele que é justo, piedoso, capaz de amar e ser feliz.

Monica Soares é professora universitária, psicóloga, psicoterapeuta, especialista em educação e terapia sexual, aluna especial do Programa de Mestrado em Sexualidade-USP

 

 

Por Monica Soares em 26/04/2017 às 16:00