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Política

Rodrigo Garcia garante ‘atender as demandas’ de Rio Preto e região

Homem forte da futura administração Doria para o interior, vice-governador eleito já assume papel de destaque no planejamento do tucano

Eleito vice-governador na chapa de João Doria (PSDB), o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM) sobe mais um degrau na carreira política. Nascido em Tanabi, hoje com 44 anos, Rodrigo soube entender como funciona a dinâmica do jogo político. Ao longo dos últimos anos realizou alianças estratégicas que possibilitaram aumento no número de votos nas eleições que disputou e a indicação para cargos de destaque no governo estadual. Advogado por formação foi três vezes deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. Foi secretário de Gestão na Prefeitura de São Paulo e, no Estado de São Paulo, atuou como secretário de Desenvolvimento Social de Ciências e Tecnologia e da Secretaria de Estado da Habitação, ambos os cargos por indicação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Líder do partido Democratas está no segundo mandato como deputado federal, eleito o sexto mais bem votado do Brasil. A influência nos municípios do interior, em especial da região Noroeste, fez com que o então candidato João Doria o convidasse para a vaga de vice. Doria nunca escondeu que o peso político de Rodrigo seria fundamental, já que os votos dos municípios do interior seriam o fiel da balança, como se provou uma realidade. Doria venceu em 60% dos municípios do interior de São Paulo, incluindo Rio Preto. Como reconhecimento, Rodrigo foi anunciado por Doria, na segunda-feira, dia 5, como o coordenador de transição, espécie de articulador de governo, hoje desempenhada por uma pasta específica, a Secretaria de Governo. Rodrigo afirma que a transição começou no dia seguinte a nomeação, e que a primeira reunião foi realizada na terça-feira, dia 6. “Ficou acordado que, em 10 dias, haverá a primeira reunião das equipes, que coordenam os trabalhos para a mudança de gestão.

As principais áreas analisadas neste momento serão gestão fiscal do Estado, Segurança, Saúde, Educação e Mobilidade Urbana”, disse à Gazeta de Rio Preto. Promessa de campanha de Doria, a extinção e fusão de secretarias estaduais devem ocorrer após “diagnóstico do atual governo”. Rodrigo diz que neste momento é feito um “levantamento para se definir as próximas ações”, mas deixa claro que a promessa será cumprida. “Com esse diagnóstico em mãos, o governador eleito João Doria fará um novo desenho institucional do nosso governo. Vamos reduzir o número de secretarias e cargos em comissão”, garante. No mesmo dia em que Garcia foi anunciado como articulador político, o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), foi nomeado para a chefia da Casa Civil de São Paulo, a partir de 2019. A função é de destaque e, assim como Rodrigo, permite que Kassab tenha forte poder de influência nas decisões do futuro governo Doria.

O assunto Kassab, inclusive, merece uma análise mais profunda. Rodrigo e Kassab formaram no passado uma das mais bem sucedidas e comentadas dobradas eleitorais do Estado de São Paulo. A parceira começou em 1998, ano em que Rodrigo se lançou como deputado estadual e Kassab a federal. O jingle da dupla se tornou chiclete: “quem sabe, sabe, vota comigo, federal é Kassab, estadual é Rodrigo.” No entanto, a relação começou a estremecer quando, em 2010, Kassab deixou o DEM e anunciou a criação do Partido Social Democrático (PSD), que acabou sendo base ao mesmo tempo de Dilma Rousseff (PT) e de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo. O fato desagradou Rodrigo e provocou o rompimento definitivo dos dois. Questionado pela Gazeta, Rodrigo contemporiza e diz não haver qualquer problema. “Na política, em determinados momentos, podemos seguir caminhos diferentes, com objetivos diferentes. Por outro lado, há momentos em que temos a mesma linha de atuação e somamos esforços”, diz Garcia. Após o anúncio de Gilberto Kassab como chefe da Casa Civil, Doria foi duramente criticado por adversários e até mesmo eleitores. O motivo é que o atual ministro de Michel Temer (MDB) é réu em processo na Lava-Jato que apura Caixa-2 em São Paulo. Sobre o assunto, o agora parceiro Rodrigo Garcia, tenta por panos quentes. “Vivemos num Estado Democrático de Direito. Não se pode julgar ninguém. Enquanto não houver o processo julgado e sentenciado em segunda instância, a pessoa é ficha limpa”.

Ações para o interior

Com a garantia dada por Doria de que Rodrigo será o interlocutor com as cidades do interior do Estado, a ponto de criar a Secretaria do Interior, o vice-governador eleito falou à Gazeta sobre algumas propostas prometidas durante a campanha. Em relação à saúde, Garcia afirma que a ideia é introduzir no interior o “Corujão da Saúde”. “Devemos fazer convênios e parcerias com hospitais e clínicas particulares, nos quais compraremos vagas no horário noturno, para exames, cirurgias eletivas e consultas com especialistas”. A ideia é ainda reestruturar o sistema com uma “gestão mais eficiente”. Sobre o fechamento do Ielar, no ano passado, e a ideia da equipe do governo Edinho Araújo (MDB) de tentar municipalizar parte do atendimento de saúde, com a construção de um hospital municipal, Rodrigo diz que o “Estado poderá ajudar dentro daquilo que é sua responsabilidade”. “Como deputado destinei mais de R$ 5 milhões para o setor, sendo que R$ 2,2 milhões foram para a construção UPA Norte. Nessa última semana, inclusive, destinei mais R$ 1 milhão, para a Santa Casa”, afirma. Sobre duas promessas especificas de Doria para Rio Preto, a implantação da terceira faixa entre Cedral e Mirassol, na rodovia Washington Luiz (SP-31), e instalação de uma unidade do Baep (Batalhão Especial da Policia Militar), com 300 homens, Rodrigo garante que sairão do papel. Em relação a terceira faixa diz que “avaliaremos o estágio em que o projeto está, estudaremos o que pode ser feito, para no tempo mais curto possível encontrar a melhor solução”, já sobre o Baep diz que “está entre as primeiras medidas que deveremos implantar”. O déficit habitacional no Estado que chega a 1 milhão de residências é outro ponto que, segundo Garcia, será tratado com prioridade. “Continuaremos investindo em parcerias com outras esferas de Poder, como o “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, e com a iniciativa privada, por meio da PPP – Parceria Público-Privada. Pioneira no País, a PPP da Habitação de interesse social nos permite construir em tempo recorde e reduzir o investimento do Estado”. Devido a não reeleição de nomes tradicionais da política rio-pretense na Assembleia Legislativa, como Vaz de Lima (PSDB), Orlando Bolçone (PSB) e João Paulo Rillo (PSOL), Rio Preto ficou sem representatividade e corre o risco de perder recursos do Estado, liberados por meio de emendas parlamentares. A preocupação é real, a ponto de o prefeito Edinho ter declarado que conta com a influência de Rodrigo junto ao futuro governo Doria. “Sempre tive uma relação muito boa com o prefeito Edinho e estarei à disposição de Rio Preto e região, para dentro da responsabilidade e da capacidade do Estado, atender as demandas que surgirem”.

Por Raphael Ferrari em 08/11/2018 às 23:59
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