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Política

Novo terminal na Praça Cívica está atrasado e R$ 10 milhões mais caro

Erros estruturais no projeto e críticas ao local escolhido colocam em xeque obra, que recebeu mais um aditivo

A Prefeitura de Rio Preto concedeu mais um aditivo à empresa Constroeste para continuar com as obras do novo terminal de transporte coletivo, na Praça Cívica. Com isso, o terminal já está R$ 10 milhões mais caro do que o previsto, quando o contrato foi assinado, em novembro de 2015, durante o governo do então prefeito Valdomiro Lopes (PSB).

A Constroeste venceu a licitação por R$ 47,7 milhões, mas agora, segundo o governo, o valor corrigido passa da casa dos R$ 57 milhões. Outro dado preocupante é em relação à conclusão da obra. Prevista para ser entregue no final de 2016, último ano do governo Valdomiro, a obra chegou a ser paralisada por cerca de dois meses, porque foram encontradas tubulações de água e esgoto no subsolo e de rede de energia elétrica até então desconhecidas no local.

No ano passado, já no governo Edinho Araújo (MDB), a Prefeitura determinou novamente a paralisação da construção. Desta vez, foi determinado reforço em algumas estruturas, como instalações hidráulicas, elétricas e arquitetônicas. Ficou constatado que o projeto não previa, sequer, como os ônibus que vem da Andaló, próximo ao viaduto Luis Carlos de Abreu Sodré, acessariam o novo terminal. Agora, segundo o governo, o prazo para entrega é dezembro deste ano.

Sem consenso

O novo terminal de transporte coletivo, batizado pelo ex-prefeito Valdomiro como “Estação Central Parque”, está sendo construído em uma área de 16 mil metros quadrados e, segundo projeções iniciais, depois de finalizado vai atender cerca de 130 mil pessoas diariamente. A escolha do local foi marcada por polêmicas, com ambientalistas criticando a mudança de destinação da praça. O Ministério Público, por meio do promotor Sérgio Clementino, chegou a questionar na Justiça o novo terminal. Em fevereiro de 2015, a cúpula do governo de Valdomiro assinou um acordo, que foi homologado na Justiça. No acordo foi definido, por exemplo, a redução do total de árvores da praça que foram derrubadas - de 106 para 60. O município terá de plantar cerca de 80 árvores no local e, como forma de compensação, ainda tem de plantar mais de 2,6 milmudas pela cidade. O MP acompanha todo andamento da construção. As críticas pela escolha do local são várias.

A própria Sociedade dos Engenheiros chegou a emitir pronunciamento à época de que era contra a obra, alegando que a região central iria ficar mais congestionada com os ônibus que por ali forem deslocados. Ambientalistas também foram na mesma linha, alegando que a praça é um símbolo da cidade e que, além de abrigar a Biblioteca Municipal, mantinha quantidade razoável de árvores. Nem bem venceu as eleições e o atual prefeito Edinho Araújo também foi questionado sobre o assunto. Em todas as respostas o mesmo tom incisivo, o de que jamais faria a obra naquele local, mostrando total desacordo com o projeto recebido do antecessor. O ex-prefeito sempre defendeu a empreitada, alegando que a Praça Cívica era subutilizada e que o novo terminal iria agilizar em até 15 minutos as viagens dos coletivos, com novas linhas e acomodação mais dignas aos usuários.

Valdomiro ainda obteve liberação de recursos para construir o viaduto da rua João Mesquita, inaugurada por Edinho, que servirá de linha exclusiva dos ônibus para acessar o novo terminal.

Centro Cultural

Com tantas críticas ao novo terminal, no ano passado, um grupo de pessoas ligado ao meio ambiente e sociedade civil se uniu para propor ao prefeito Edinho mudanças em relação a utilização do espaço. Por meio das redes sociais, o grupo propôs que mesmo após a conclusão da estrutura física do novo terminal, o prefeito Edinho pudesse dar outra finalidade ao prédio.

Ao invés de servir para o transporte coletivo que fosse transformado em um centro cultural. A ideia era transformar o novo terminal em um Mega Centro Cultural, parecido com a Estação Vergueiro, em São Paulo, onde são oferecidas atividades artísticas e culturais à população. O prefeito, por sua vez, alegou que na ocasião seria impossível ocorrer a mudança de finalidade do espaço, podendo até responder por crime de responsabilidade.

A voz das ruas

A Gazeta de Rio Preto ouviu ao longo desta semana usuários do transporte coletivo sobre a polêmica em torno da construção do novo terminal. O eletricista Aparecido Braga, de 42 anos, acredita que, quando entregue, oespaço vai contribuir. “Vai ajudar sim. Mais espaço para a gente e mais ônibus. A rodoviária do centro não suporta mais tantas pessoas”, diz.

A recepcionista, Mônica Soarez, 51 anos, diz que o local é o ideal. “Não tinha outro lugar para fazer esse terminal. Tem que ficar no centro, porque é aqui que todas as linhas saem. Eu aprovo”. No entanto, as críticas também foram observadas.

“Local errado, superfaturado e sem data para conclusão. O centro está um caos e escolhem aqui para construir o terminal. Tem que ser em local distante, para aliviar essa região”, afirma o professor Marcelo Augusto, 35 anos. “Acabaram com a Praça Cívica e com a Biblioteca Municipal. Um absurdo. É muito dinheiro. Na minha opinião não resolve o problema do transporte. Falta planejamento nessa área”, diz o contabilista Silvio Nunes, de 62 anos.

 

Por Raphael Ferrari em 16/08/2018 às 23:59
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