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Política

Falta de sincronização e obras provocam caos na região central

Desde 2011 já foram gastos quase R$ 10 milhões para tirar do papel os sistemas de ondas verdes; motoristas reclamam de demora em trafegar pelas ruas e avenidas do centro da cidade

A falta de sincronização de semáforos e obrastravam o trânsito e motoristas não conseguem trafegar com fluidez pela maioria das ruas e avenidas do centro de Rio Preto. O fator que mais contribui com os congestionamentos é a ausência dos sistemasconhecidos como ondas verdes, onde seria permitido ao motorista que trafega em velocidade média de 45km/h encontrar todos os semáforos da via abertos simultaneamente. O sistema, cuja implantação custa milhões de reais, faria com que o fluxo de veículos pudesse escoar de forma inteligente pelas vias do quadrilátero central.

No inicio de 2015, no governo Valdomiro Lopes (PSB), a Prefeitura de Rio Preto abriu licitação para a troca e manutenção de aparelhos já instalados. De acordo com a licitação, o município pretendia gastar até R$ 4,3 milhões para contratação de uma empresa responsável pelo serviço. Já foram gastos, somente para a solução do mesmo problema, mais de R$ 4 milhões, apenas nos últimos cinco anos. A sincronização dos aparelhos teve custo superior a R$ 500 mil. Em 2012, a empresa Tesc Sistemas de Controle ganhou licitação do serviço e, de 2011 a 2016, recebeu R$ 508 mil da Prefeitura, segundo informações do Portal Transparência, mas mesmo assim o serviço ainda não foi totalmente implantado.

Enquanto o governo não consegue colocar em prática a sincronização dos semáforos, motoristas reclamam de congestionamentosna área central. Na rua Rubião Júnior, no sentido centro, João Guilherme, que trabalha com entrega de mercadorias, afirma que a falta de sincronismo muitas vezes o obriga a cortar caminho pelos bairros ao redor da região central.

“Como preciso fazer entregas, prefiro cortar caminho a esperar nas ruas do centro. Você anda um quarteirão e no próximo tem que parar. Um absurdo”, diz. No cruzamento da avenida Bady Bassitt com a rua Delegado Pinto de Toledo, os motoristas têm de parar os veículos, mesmo tendo acabado de sair do anterior. “Não existe inteligência. Rio Preto é tão grande, desenvolvida, e não consegue resolver um problema técnico”, diz Sandro Malaquias.Para Marcos de Araújo, sem sincronia, o trânsito, que já é lento, fica pior. “Nos horários de picos, avenidas Bady, Andaló e ruas transversais ficam intransitáveis. O ‘anda e para’ faz a gente perder a paciência. Falta planejamento”, afirma.

Além dos trechos citados pelos motoristas, a Gazeta de Rio Preto percorreu vários pontos da região central. Na rua Marechal Deodoro, logo após cruzar a avenida Bady Bassitt, a falta de sincronismo também é comprovada causa lentidão no trânsito. Outro trecho bastante é ao longo da rua Silva Jardim. O abre e fecha dos sinais não colabora com uma fluidez inteligente. Saindo da área central, outra avenida com os mesmos problemas é a Nossa Senhora da Paz. Os semáforos não estão conectados de forma a dar fluidez à avenida, que deveria ser prioridade por ter uma grande extensão. Pelo lado positivo, o início da avenida Bady Bassitt, próximo ao supermercado Pastorinho, até os cinco quarteirões seguintes, apresenta um bom sincronismo, apenas tendo problemas na parte final da avenida no sentido bairro-centro.

Velho problema

Não foi por falta de tempo que o projeto dos sistemas ondas verdes tem falhado. A sincronia dos semáforos foi anunciada pela Secretaria de Trânsito em dezembro de 2011. Todo o processo aconteceria em três etapas. A primeira seria a troca de fiação e instalação de novos controladores, a um custo de R$ 418 mil, financiados pelo Fundo Nacional de Trânsito (Funtran). A segunda etapa, que teve início em outubro de 2012, era a instalação da central de sincronização dos semáforos.

A empresa Tesc Sistemas e Controles Ltda, de São Paulo, venceu licitação e assinou contrato no valor de R$ 560 mil para a implantação. O prazo era de 150 dias.A terceira fase é o monitoramento via rádio para adequar a sincronia. Nesta etapa, o processo emperrou. A empresa Tesc garantiu, na ocasião, que o sistema estava totalmente implantado, faltando apenas a Prefeitura adicionar dados (tempo de abertura e fluxo de veículos) para acontecer à sincronia. À época, o secretário de Trânsito, Aparecido Capello, reconheceu a falta de dados e disse que contrataria mais funcionários para o serviço.

Em busca de respostas

A Secretaria de Trânsito, Transporte e Segurança informou que está realizando a troca dos sistemas de semáforos ao longo dos nove corredores de ônibus. Mais atualizados, os equipamentos permitem o controle temporal em cada um dos cruzamentos individualmente, diferentemente do que ocorre nos usados até aqui, nos quais cada controlador opera três cruzamentos. Após a troca desses semáforos, será possível a sincronização realizada pela própria secretaria. No entanto, a pasta não fixou uma data para que as ondas-verdes entrem em operação.

Anteriormente, em reportagem publicada pela Gazeta de Rio Preto, no mês passado, aPrefeitura informou que iria gastar cerca de R$ 6,4 milhões na troca e modernização de semáforos em vários pontos da cidade. Ao todo, seriam substituídos 32 aparelhos na avenidaAlberto Andaló e outros 63 na Bady Bassitt. Outros 136 semáforos veiculares serão instalados nos outros sete corredores de ônibus. O investimento também prevê a implantação de 436 semáforos destinados aos pedestres. Ainda de acordo com a Prefeitura, o valor de cada semáforo veicular instalado é de R$ 18,7 mil, já o de pedestre o preço unitário é de aproximadamente R$ 4,7 mil.

Na Andaló

Se a falta de sincronização dos semáforos atrapalha a fluidez de trânsito, as obras que estão sendo feitas ao longo da Andaló, uma das principais vias da cidade, é outro problema. As intervenções visam corrigir erros na execução das obras dos corredores de ônibus. Orçada inicialmente em R$ 53,7 milhões, em 2016, durante o governo de Valdomiro Lopes (PSB), o custo já atinge R$ 62,1 milhões.São várias as falhas apontadas no projeto, desde a falta de obras de acessibilidade, desnível entre a massa asfáltica das vias com as guias das calçadas ou canteiros centrais das avenidas, até mesmo a execução equivocada na pavimentação da faixa de rolamento por onde será destinado o trafego exclusivo dos ônibus.

Com isso, todos os dias, determinados trechos da Andaló são interditados causando congestionamentos, principalmente nos horários de pico.
Areportagem da Gazeta de Rio Preto percorreu a avenida logo pela manhã, desde o início até o Terminal Rodoviário, sentido bairro-centro. Se antes o trajeto poderia ser feito em no máximo 7 minutos, com o bloqueio de parte das faixas de rolamento, são gastos mais de 20 minutos.

Por Raphael Ferrari em 09/08/2018 às 23:59
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