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Política

Afundamento de asfalto expõe falhas nas obras antienchente

Orçadas em R$ 125 mi e finalizadas por R$ 165 mi, sucessivos consertos em vias que receberam as obras comprovam má qualidade dos serviços

Orçadas inicialmente em R$ 125,1 milhões, as obras antienchente tiveram custo total de R$ 165 milhões. Com início em maio de 2015, durante o governo de Valdomiro Lopes (PSB), e entregues em 2017, no atual governo Edinho Araújo (MDB), com 23 meses de duração, o serviço apresenta problemas de execução.

A Gazeta de Rio Preto detectou o afundamento da pavimentação asfáltica em vários pontos dos bairros Cidade Nova e Higienópolis e na avenidaBrasilusa. Em pelo menos dois destes pontos o asfalto está prestes a ceder completamente. O primeiro caso é no cruzamento das ruas Otávio Pinto César e Gago Coutinho. No caso mais grave, na rua João Alfredo, em frente ao número 144, o asfalto já cedeu e está prestes a descolar completamente. No segundo caso, a Prefeitura, até o momento, apenas sinalizou o local com dois cavaletes.

O risco é grande devido ao fluxo de veículos e crianças pelo local. A qualquer momento o asfalto pode ceder. “Está bem em frente á minha casa. Já acionei a Prefeitura e eles dizem que não sabem de quem é responsabilidade do conserto. É um perigo. Tem crianças pequenas que brincam por aqui. Meu filho mesmo quase pisou nesse asfalto”, diz a dona de casa Ângela Cortez, 47 anos.

O comerciante Virgílio Barbosa, de 62 anos, diz estar preocupado. “Se está afundando agora, no período de seca, imagina quando vierem as chuvas. Muitas ruas por aqui estão desniveladas, os carros passam e afunda cada vez mais”, diz

Na rua Otávio Pinto César, que aos sábados recebe uma feira livre, vários pontos já receberam reparos por parte da Prefeitura. O que chama atenção é que nestas ruas houve intervenções de micro e macro drenagens, previstas nas obras antienchente. Ou seja, apesar de terem sido entregues e refeitas, em muitos alguns casos, o problema do afundamento de ruas da região sul da cidade continua.

A região foi escolhida para receber as intervenções porque, segundo especialistas, os bairros não tinham galerias de águas pluviais. Com isso, quando eram registradas chuvas de grandes proporções, as águas se deslocavam rapidamente até a região da avenidaBrasilusa. Com as obras, o subsolo dessas ruas recebeu tubulações e galerias de represamento das águas.

Investigação

Depois de seis meses de investigação, a CPI que investigou as obras antienchente executadas em Rio Preto durante o segundo mandato do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), de 2013 a 2016, terminou a apuração no fim de outubro do ano passado sem chegar a conclusão dos pontos que se propôs a investigar. Um deles é se houve superfaturamento no projeto e se as obras de fato são eficientes.

A obra, a cargo da Constroeste, afetou cerca de 50 bairros da cidade, em especial os vizinhos às avenidas Bady Bassitt, José Munia e Brasilusa, onde foi construído o maior piscinão do projeto, com cerca de 18 metros de profundidade.

A investigação na Câmara foi proposta pelo vereador Renato Pupo (PSD), que ficou apenas como suplente na CPI, cujos integrantes foram definidos por sorteio. O relatório da investigação, elaborado pelo vereador Marco Rillo (PT), aponta que a falta da contratação de um perito teria sido a principal razão para CPI ter fracassado em investigar as denúncias relativas à obra, que incluíam ainda atraso e ineficiência.

A CPI chegou a pedir a contratação de perito ao presidente da Câmara, Jean Charles (PMDB), mas a solicitação foi rejeitada, com o argumento de que o requerimento que criou a CPI não trouxe o pedido. O caso segue com o Ministério Público, que até o momento não avançou nas apurações.

Sem solução imediata

Procurada sobre o afundamento do asfalto na rua João Alberto, a assessoria de comunicação da Prefeitura afirmou, por meio de nota, que “um técnico irá ao local para avaliar as possíveis causas do afundamento”. Questionada ainda se o governo Edinho tem conhecimento desses afundamentos, principalmente nos bairros citados da região sul, a assessoria afirmou que “quando a secretaria toma ciência destes afundamentos são providenciadas a apuração da responsabilidade e solução para o problema”. A prefeitura não informou a data que o técnico iria até o local. O próprio contrato assinado entre Prefeitura e a empresa Constroeste prevê que, detectada alguma falha na execução da obra, a empresa, obrigatoriamente, deve refazer o serviço sem custos aos cofres públicos.

Por Raphael Ferrari em 16/08/2018 às 23:59
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