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Política

Falha na execução dos corredores de ônibus expõe erros na elaboração do projeto

Intervenções na Andaló tiram a paciência dos motoristas;valor inicial que era de R$ 53 mi já passa de R$ 62 mi por conta de aditivo

Motoristas de Rio Preto que trafegam por ruas e avenidas da área central até hoje questionama eficiência dos corredores exclusivos para ônibus. A obra teve início em 2016 durante o governo de Valdomiro Lopes (PSB) e está a cargo da Constroeste. A empresa ganhou a licitaçãocom proposta de R$ 53,7 milhões e a obra deveria ter sido concluída no ano passado. Hoje o valor saltou de R$ 53,7 milhões para R$ 62,1 milhões, valor R$ 8,4 milhões superior ao previsto. Vários erros foram apontados na execução do projeto o que obrigou o atual governo do prefeito Edinho Araújo (MDB) autorizar, em janeiro deste ano, um aditivo de 15,6% que resultou no montante de R$ 62,1 milhões.

São várias as falhas apontadas no projeto, desde a falta de obras de acessibilidade, desnível entre a massa asfáltica das vias com as guias das calçadas ou canteiros centrais das avenidas, até mesmo a execução equivocada na pavimentação da faixa de rolamento por onde será destinado o trafego exclusivo dos ônibus.

A Gazeta de Rio Preto percorreu algumas vias para entender o que pensam os motoristas sobre o assunto, uma vez queoscorredores deixam mais incertezas do que garantias de um trânsito com maior fluidez. “Tem que responsabilizar quem errou, seja o prefeito, a empresa, enfim, alguém tem que arcar com o prejuízo”, diz o comerciante Antônio de Souza. “Olha, eu percebo que este projeto foi para inglês ver. Tem vias que não precisaria de corredor, como o caso da Bernardinho (de Campos) e mesmo assim vão colocar faixa exclusiva de ônibus lá. Acho que falta estudo”, diz a professora Maria Aparecida do Carmo. Para Joel de Araújo, Rio Preto não necessitaria neste momento de vias exclusivas para o transporte coletivo. “Mesmo não sendo da área, percebo que em determinados locais, os corredores mais vão atrapalhar do que ajudar na fluidez do trânsito. Você destinar uma faixa exclusiva para o ônibus em determinados horários de pico vai dar resultado contrário.” diz.

De quem é a culpa?

Bombardeada por críticas em relação a obras de Mobilidade Urbana, projetadas e iniciadas por Valdomiro, o governo Edinho anunciou há alguns meses a intenção de realizar perícia para detectar os culpados pelas falhas na execução do projeto dos corredores e o gasto além do previsto em contrato. Questionada sobre o assunto, se defato a tal perícia foi realizada, a Prefeitura informou que ainda “está viabilizando a contratação de uma auditoria técnica terceirizada e após a análise o parecer será encaminhado à Comissão de Licitação da Prefeitura”.

Desde o dia 7 de maio a Prefeitura de Rio Preto, por meio da Secretaria de Obras, realiza a adequação da altura do canteiro central da avenida Alberto Andaló com relação ao nível do asfalto. O canteiro está sendo elevado, para que a guia fique mais alta do que o pavimento asfáltico. As obras no canteiro central são necessárias para corrigir um erro no projeto inicial dos corredores de ônibus. Os novos corredores previram um novo recapeamento na avenida Alberto Andaló, porém o asfalto foi sobreposto ao já existente, com isso a camada ficou mais alta que a guia, o que atrapalha a passagem de pedestres, impede a acessibilidade para pessoas com deficiência e prejudica o escoamento das águas das chuvas.

Procurado o governo Edinho respondeu que as correções são necessárias e que tem de cumprir a obra em andamento projetada na administração passada e que é realizada com recursos da Caixa Econômica Federal. Os reparos também são feitos pela Constroeste. Até então a Prefeitura apontava que a responsabilidade das falhas era da ATP Engenharia, empresa responsável pelo projeto da obra de mobilidade urbana. A Constroeste, por sua vez, sempre afirma que apenas executou o que estava previsto em contrato.

 

Por Raphael Ferrari em 12/07/2018 às 23:59
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