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Política

CPI da Emurb convoca mulher e irmã de Liszt Abdala

Investigações mostram que parentes do ex-secretário participaram de licitação de forma irregular; caso motivou a saída dele da secretaria de Desenvolvimento

A CPI da Emurb (Empresa Municipal de Urbanismo) deve colher nesta sexta-feira, dia 13, os depoimentos de Liszeila Reis Abdala, irmã do ex-secretário de Desenvolvimento da Prefeitura de Rio Preto, Liszt Abdala e Fany Cristina Warick, mulher dele. As duas foram convocadas pelo presidente da Comissão, vereador Marco Rillo (PT), para esclarecimentos sobre fraude na licitação da Área Azul Digital.

Elas são proprietárias de empresas que participaram do processo licitatório para implantação de sistema de cobrança digital para estacionamento na Área Azul. As investigações no Legislativo indicam que as empresas de Liszeila e Fany, ligadas ao ex-secretário Liszt, teriam apenas participado da licitação, mas que tudo já estava acertado para que a empresa Innovare, do empresário Wagner Costa, vencesse a disputa e implantasse o aplicativo. O ex-secretário Liszt deixou o cargo em meio às denúncias de irregularidades envolvendo os familiares.

A Área Azul digital, que sequer saiu do papel no início do ano, foi considerada uma fraude por sindicância da própria Prefeitura e motivo de ação de improbidade movida pelo Ministério Público contra a ex-presidente da empresa Vânia Pelegrini. Os problemas fizeram com que ela deixasse o cargo, em janeiro.

O contrato com empresa de Wagner foi rescindido. Ele ganhou a licitação, com proposta de R$ 79 mil, em julho do ano passado. Em relação aos depoimentos desta sexta-feira, o presidente da CPI, vereador Marco Rillo, quer saber se as empresas dos parentes de Liszt desenvolviam trabalhos semelhantes que possam justificar o convite da Prefeitura na concorrência. “Até onde eu sei são empresas de telefonia. Não estou convencido de nada”, afirmou o petista.

Desvio de finalidade

Entre as irregularidades na Área Azul de Rio Preto, como venda de talões falsificados por parte de funcionários e troca de cheques de terceiros com dinheiro da Emurb, o que mais pode comprometer o prefeito Edinho Araújo é o desvio de finalidade de R$ 350 mil. O montante foi autorizado no ano passado pela Câmara Municipal para ser investido exclusivamente na implantação da Área Azul Digital.

As investigações da CPI apontam que grande parte desse recurso foi para o pagamento de salários atrasados dosfuncionários da empresa pública. Se comprovada a irregularidade, pode ser aberta uma comissão processante contra o prefeito. A licitação do aplicativo digital foi concluída em julho. Pagamentos mensais de cerca de R$ 6 mil foram feitos já a partir de agosto. Entre equipamentos, como impressas, e contato para uso de celulares, a despesa total seria inferior a R$ 200 mil. No entanto, o empresário Wagner Costa, um dos pivôs do caso, afirma que todo recurso do aporte, R$ 350 mil, foi para salários atrasados da empresa pública. As informações teriam sido apresentadas ao secretário de Governo, Jair Moretti, que depois se reuniu com 11 vereadores para discutir o uso da verba. O projeto de Edinho foi aprovado em sessão extraordinária em 15 de dezembro.

Outro lado

Sobre o fato de ter utilizado dinheiro para pagar salários de funcionários da Emurb, a Prefeitura informou à época dos acontecimentos que o dinheiro do aplicativo está separado em uma conta específica. “Os recursos repassados entraram no caixa geral (único) da Emurb para aplicação no sistema de Área Azul digital, de acordo com o cronograma de execução. A Comissão de Auditoria abriu uma conta específica, onde está depositado o saldo remanescente”, consta na nota.

 

Por Raphael Ferrari em 12/07/2018 às 23:59
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