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Política

Marco Rillo admite frustração com julgamento de Lula no STF

Vereador do PT disse que contava com voto favorável da ministra Rosa Weber, o que não aconteceu; para ele, mesmo sem o ex-presidente, partido tem força nas eleições de outubro

O vereador Marco Rillo (PT) analisou, nesta quinta-feira, dia 5, o resultado do julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula, negado, por 6 votos a 5, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O petista disse que, assim como a maioria dos membros e simpatizantes do partido, tinha as esperanças em relação ao voto da ministra Rosa Weber, o mais aguardado da sessão, que acabou acompanhando o voto do relator Edson Fachin, contrário ao pedido da defesa de Lula.

Para Rillo, o ex-presidente se tornou um “bode expiatório”. Ele se diz triste com a decisão, e entende que o processo contra o Lula correu “de forma acelerada”, fora dos padrões da justiça brasileira. “Acredito que toda corrupção deva ser punida. Mas o Lula não é o único. Em meio a tanta coisa errada que tem aí, não vejo nada ser feito contra o presidente (Michel) Temer (MDB), nem contra o Aécio Neves (senador pelo PSDB), por exemplo”.

Marco Rillo classifica como “muitíssimo remota” a possibilidade de o ex-presidente reverter a condenação e conseguir ser candidato nas eleições de outubro. Para ele, três fatores inviabilizam a candidatura: a prisão, o fato de ele ser “ficha suja” e a possibilidade de a ministra Rosa Weber assumir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Ela nunca vai deferir um pedido de candidatura do Lula. Impossível”, afirmou.

O vereador, no entanto, não “joga a tolha” quanto à possibilidade de o PT eleger o próximo presidente da República. De acordo com Rillo, o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad é o mais cotado para concorrer pelo partido e que, mesmo se estiver preso, o ex-presidente Lula é capaz de direcionar 26% dos votos, segundo pesquisa. “Não estamos mortos. O partido tem nomes fortes e a influência do Lula, independentemente das circunstâncias, pode ser decisiva”, afirmou.

Pelo mundo

Os principais jornais internacionais estamparam na capa o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente, na madrugada desta quinta-feira, dia 5. Com fotografias de Lula, das manifestações favoráveis e contrárias, assim como

imagens do STF, os veículos destacaram o chamado “julgamento histórico”. O The Guardian (Reino Unido), o Le Monde (França), o Deutsche Welle (Alemanha), o El País(Espanha) e o Clarín (Argentina) ressaltaram, em longas reportagens, a possibilidade de Lula ser preso.

A manchete do The Guardian diz que Lula deve enfrentar a prisão, após o resultado do Supremo, o que ameaça a carreira política dele. A reportagem detalha o julgamento, que durou mais de nove horas, a história política do ex-presidente e sua trajetória de operário ao poder no país.

O francês Le Monde afirma, na manchete, que a decisão do STF fragiliza a esquerda brasileira. A reportagem também menciona a biografia de Lula e diz que o PT planeja que o ex-prefeito Fernando Haddad seja o sucessor político. Segundo o jornal, Lula e Haddad são como Lionel Messi e Luís Suarez, do Barcelona, afinados em campo.

Na manchete do alemão Deutsche Welle, o destaque é para o julgamento e os protestos. A reportagem informa que houve manifestações favoráveis e contrárias a Lula em vários locais do Brasil. O texto diz também que o general Eduardo Villas Boas se manifestou a favor da rejeição do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente.

 

 

Por Getúlio Salvador em 05/04/2018 às 23:59