Política

Na lista de Fachin

Aloysio Nunes, Rodrigo Garcia e João Paulo Rillo são citados por delatores da Odebrecht e incluídos na lista que abalou o cenário político nacional

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin – que é o relator da Operação Lava Jato – de autorizar a abertura de inquéritos contra políticos das diferentes esferas de poder acusados por delatores da empreiteira Odebrecht atingiu em cheio o meio político rio-pretense. Três dos principais representantes da cidade em São Paulo e Brasília tiveram seus nomes citados e podem virar alvo de investigação do STF e no TRF.

O ministro das Relações Exteriores e senador licenciado Aloysio Nunes (PSDB), o deputado federal licenciado e secretário de Habitação de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), e o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) foram apontados por delatores da operação como beneficiários de propina paga pela empreiteira. Em todos os casos, a suspeita é de que o dinheiro foi usado como caixa dois – recursos usados em campanhas, mas não declarados à Justiça Eleitoral.

Aloysio Nunes

A suspeita contra Aloysio Nunes é de que ele teria recebido R$ 500 mil em caixa dois para a campanha ao Senado e que, em troca, ofereceu favores políticos a empreiteira. Ele foi citado pelos delatores Arnaldo Cumplido de Souza Couto, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Carlos Armando Guedes Paschoal, Luiz Eduardo da Rocha Soares, Roberto Cumplido, Fábio AndreaniGandolfo e Pedro Augusto Ribeiro Novis. 

O ministro foi incluído no mesmo inquérito que pede ainda investigação contra o senador José Serra (PSDB) por supostas irregularidades na licitação para a construção do Rodoanel Sul, na Grande São Paulo, que teriam favorecido a Odebrecht, que liderava o consórcio vencedor do contrato. Segundo a denúncia, um grupo de dez construtoras combinava a atuação na licitação para evitar a concorrência no processo. Os representantes das empreiteiras se reuniam com a Dersa, concessionária vinculada ao governo de São Paulo que fez a contratação da obra, para solicitar ajustes no edital da licitação.

Os delatores afirmam, no entanto, que representantes da Dersa exigiram repasses ilegais do consórcio vencedor. Só a Odebrecht chegou a pagar R$ 2,2 milhões para offshore pertencente a Amaro Ramos – que seria o operador do PSDB no esquema.

No documento em que consta a delação, há a informação de que os executivos da Odebrecht receberam uma solicitação para fazerem doações à campanha de Aloysio ao Senado, em 2010 tendo a Odebrecht doado R$ 500 mil não contabilizados à campanha do agora ministro.

“Na oportunidade, a Odebrecht estava enfrentando dificuldades em relação à Dersa, ocasião em que o ora Ministro de Estado solicitou auxílio no custeio de sua campanha ao Senado Federal, comprometendo-se, em contrapartida, a auxiliar na negociação dessas questões”, relata o inquérito.

Em nota à imprensa, o ministro das Relações Exteriores disse que as acusações são mentirosas, mas que só vai comentar o tema após ter acesso ao pedido de inquérito.”

Rodrigo Garcia

No caso de Garcia, as delações apontam que ele teria recebido da Odebrecht dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral. Os delatores afirmaram que a negociação para a doação, por meio de caixa dois, ocorreu em escritório político do deputado federal licenciado. Não consta no relatório, no entanto, qual o valor doado pela empresa ao deputado que, de acordo com a denúncia, era chamado de “Suíça” nas planilhas onde a empreiteira mantinha a contabilidade do setor de propinas.

Procurado, Rodrigo informou, por meio de sua assessoria, que jamais recebeu doação não contabilizada em campanhas eleitorais e que é o maior interessado em que esse assunto seja esclarecido o mais breve possível.

João Paulo Rillo

Segundo três delatores, Rillo recebeu ilegalmente R$ 500 mil da empreiteira. O nome do deputado estadual é citado nos depoimentos de Guilherme Pamplona Paschoal, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Luiz Eduardo Rocha Soares,todos funcionários da empresa. O nome do parlamentar constaria nas planilhas do setor de propinas na Odebrecht sob o codinome de “Boiadeiro”.  Como o parlamentar não tem foro privilegiado, caberá a Procuradoria do Tribunal Regional Federal, em São Paulo, decidir se há indícios suficientes para a abertura do inquérito.

À Gazeta, o deputado negou ter recebido doações do Grupo Odebrecht e afirmou que confia nas investigações para esclarecerem “falsas acusações sobre uma prática que venho publicamente repudiando ao longo da minha vida política”. Em nota enviada pela assessoria, o deputado afirma que é “o principal interessado em buscar a verdade sobre a origem e motivação da inclusão de seu nome como destinatário de uma doação, que jamais foi recebida por mim legalmente ou por caixa dois”, consta.

Sobre a lista

Além dos três políticos com base eleitoral de Rio Preto, outros 73 políticos foram incluídos na chamada “lista de Fachin”, que teve como base a “delação do fim do mundo” feita por 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht. A lista conta com oito ministros (incluindo Aloysio), 24 senadores e 42 deputados e três governadores. Além disso, as citações a políticos que não contam com foro privilegiado foram encaminhadas à primeira instância com pedido de abertura de inquérito – é o caso de João Paulo Rillo. Também se enquadram nesse perfil três ex-presidente – Dilma Rousseff (PT), Luís Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

Por Ademir Terradas em 12/04/2017 às 23:59