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Lazer

Cresce a procura por pesca subaquática na região

Prática esportiva traz benefícios para saúde, mas requer disciplina para evitar acidentes

O Noroeste Paulista está localizado entre rios que fazem partes da bacia hidrográfica do rio Paraná, o que torna a região um atrativo para a prática da pesca esportiva. Entre as modalidades, uma que vem se destacando e ganhando mais adeptos é a pesca subaquática, que utiliza técnicas de mergulho em apneia. Diferentemente do mergulho autônomo, em que o mergulhador utiliza um equipamento que permite respirar por cilindros de ar, o mergulho em apneia acontece simplesmente com o ar dos pulmões.

O instrutor de mergulho e pesca sub, Daniel Baptistella, fala dos benefícios que a pesca sub pode trazer. “É uma atividade dinâmica, mesmo que o mergulhador não consiga pegar algum peixe, ainda sim estará desfrutando de um ambiente diferente. É uma prática prazerosa, que traz benefícios para saúde, pois exige um esforço físico” conta.

O instrutor também ressalta a importância dos equipamentos utilizados na prática da pesca sub. "Máscara, respirador e nadadeiras, aliás, é importante destacar a importância deste último equipamento citado. Nadadeiras são consideradas itens de segurança, pois elas aumentam sua propulsão e mantém seu corpo em cima da água, facilitando seu nado. E também as roupas neoprene devido a sua propriedade isotérmica. Na água perdemos calor até 25 vezes mais rápido do que fora d'água, o que pode provocar um quadro de hipotermia”.

Mas antes de iniciar as atividades, mesmo que de forma amadora de forma ocasional, é necessário ter conhecimento que a pesca subaquática requer disciplina, cuidados e zelar sempre pela segurança para evitar acidentes graves. A falta de informação pode expor o mergulhador amador a uma série de riscos e causar um grave acidente ou até mesmo a morte.

“Um erro muito comum é as pessoas acharem que a pesca subaquática é como puxar o ar para mergulhar em uma piscina. Nesta modalidade utilizamos a técnica de apneia, que exige uma preparação para oxigenar o corpo e com isso poder ficar lá em baixo por mais tempo. Daí a importância de um curso, o ideal é começar os treinos em um ambiente controlado, como uma piscina e depois se aventurar nos rios ou mares. A falta de instrução neste aspecto vem causando muitos acidentes, inclusive com mortes” explica Daniel.

Um caso que foi destaque na mídia recentemente foi à morte de Mateus Souza, de 36 anos, irmão da ex-ginasta Laís Souza. No mês passado, ele praticava pesca subaquática numa represa do rio Grande, próximo a Miguelópolis, quando morreu.

Familiares afirmaram a Polícia Civil que Mateus já tinha experiência na pesca subaquática de tucunaré, que praticava com frequência. O laudo divulgado pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi por asfixia.

"Outro tipo de acidente são os disparos acidentais com arbaletes e arpão. Nos rios da nossa região as águas são turvas e as vezes acontecem de um mergulhador atirar em outro. Por isso recomendamos que as saídas sejam feitas com pessoas experientes e com equipamentos de sinalizações" afirma o instrutor.

Restrições

A pesca amadora na Bacia Hidrográfica do rio Paraná é permitida com restrições. Peixes nativos não podem ser caçados/pescados na modalidade subaquática. Diferente das espécies consideradas exóticas, como o caso tucunaré, peixe não pertence ao ecossistema da região. Ambientalistas afirmam que esta espécie não possui predadores naturais e se multiplicam rapidamente, competindo ou mesmo se alimentando diretamente das espécies nativas.

“Temos uma legislação própria para esta bacia e deve ser respeita. Aqueles que desrespeitarem está sujeito a penalidades e poderão responder por crime ambiental e ter todo equipamento apreendidos. Na nossa região não é permitido à pesca dos peixes nativos, é importante ressaltar isso. Já os abate de peixes exóticos são autorizados, desde que não ultrapasse dez quilos. Em nossa modalidade, na nossa modalidade é proibido o uso de lanterna ou luz artificial a partir das 19h. No período da Piracema não podemos nem pescar peixes exóticos” conta Daniel.

Em 2017,a Polícia Ambiental registrou na região 11 ocorrências de pesca subaquática de forma ilegal. Foram elaborados 23 autos de infração ambiental e apreensão de 91kg de peixe. As multas chegaram em R$24,9 mil.

“Também é importante ressaltar que legislação muda de um estado para o outro. Por exemplo, se você estiver no estado de São Paulo, o um policial florestal irá exigir conforme as normas daqui. Por exemplo, no nosso estado não exige o curso de mergulho. Já em Minas Gerais, o agente florestal vai exigir o curso para poder mergulhar. Caso você não estiver com certificados, você pode ser multado e equipamentos apreendidos” concluiu.

 

 

Por Alex Pelicer em 10/10/2018 às 23:59
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