10 perguntas para Tomislav Blazic

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Tomislav Blazic
Tomislav Blazic é mentor e produtor do filme "Polícia Federal - A Lei É Para Todos", em cartaz nas principais salas do país e já ostentando o título de maior bilheteria de 2017, com mais de 1,5 milhão de espectadores. O que muitos não sabem é que Tomislav morou por 20 anos em Rio Preto. Hoje, vivendo no Rio de Janeiro, ele conta à Gazeta de Rio Preto os desafios de produzir uma obra verídica, polêmica e atual - algo inédito no cinema nacional.
1. Qual sua relação com São José do Rio Preto?
Morei durante 20 anos em Rio Preto, casei e formando a família continuei tentando trabalhar na Ponte Rio Preto/RJ, mas, tivemos que optar para retornar ao Rio pela rotina intensa que o cinema nos exige e a distância com a família era um peso emocional grande. Já estamos há 15 anos no Rio sendo que nos feriados, finais de semana e ou nas folgas dos filmes, sempre retornamos a nossa cidade natal.
2. No período em que viveu aqui na cidade você já atuava como produtor cinematográfico?
Inicialmente não, mas logo em seguida retornei as minhas origens.
3. Foi sua a ideia de transformar os bastidores da Operação Lava Jato em filme. Quando foi isso e qual caminho percorreu para realizá-la?
Eu estava trabalhando em outro filme com a Polícia Federal no projeto de tráfico de armas e drogas, quando começou a surgir a Lava Jato. Vendo o tamanho do que estava acontecendo com o país resolvi parar o outro projeto e fazer os bastidores da Operação Lava Jato, a fim de que a sociedade tomasse consciência do mau que a corrupção traz para todos. Isso o filme mostra claramente, sem cor partidária, apenas com fatos reais. Levei um ano em meio para pesquisar, roteirizar e filmar.
4. Qual a maior dificuldade em produzir o filme "Polícia Federal - A Lei É Para Todos"? E quanto tempo entre escrever o roteiro até o lançamento nos cinemas?
A dificuldade é tratar todos os envolvidos e acusados com os nomes reais, o que vem demandando inúmeras ações contra o produtor, por parte daqueles que praticaram um mal a nação e estão presos. Isso é um desafio e ao mesmo tempo nunca o cinema nacional retratou algo dessa forma. Os americanos fazem isso constantemente, mas, no Brasil, é algo inédito, bem como, a maior corrupção da história mundial e ainda por cima sendo atacado constantemente pelos sites de esquerda, apenas porque, paramos o filme na coercitiva do Lula.
5. O filme é inspirado no livro homônimo de autoria de Carlos Graieb e Ana Maria Santos. Você imaginava críticas negativas mesmo falando sobre o tema corrupção?
É evidente que o país está polarizado, mas a democracia deve madurecer, até porque, somos jovens neste aspecto. O que não pode haver é uma polarização extremista e sim pelo direito de ir e vir. O contraditório é bem-vindo. Não posso dizer que temos muitas críticas negativas, pelo contrário, temos inúmeras matérias jornalísticas que contam a reação do público aplaudindo ao final do filme. Certamente por isso somos a maior bilheteria do cinema nacional de 2017. O livro começou em paralelo com o filme. Essa foi a estratégia que usei para que tivéssemos um desempenho rápido, onde os escritores juntamente com nossos pesquisadores, roteiristas e o diretor pudessem correr com o filme. Normalmente um filme leva três anos para ser executado.
“Não posso dizer que temos muitas críticas negativas, pelo contrário, temos inúmeras matérias jornalísticas que contam a reação do público aplaudindo ao final do filme. Certamente por isso somos a maior bilheteria do cinema nacional de 2017”
6. Como foi a relação com Sérgio Moro durante a produção do filme?
Uma pessoa muito discreta e sempre sereno em suas declarações, ou seja, foi ótima.
7. Muitos disseram se tratar de um filme parcial. Como recebeu e rebateu essas críticas?
No início isso me deixou perplexo, mas logo na segunda semana do filme essa intimidação caiu por água abaixo, porque, o sucesso em si deixou claro que tudo isso era uma farsa de poucos.
8. O filme custou R$ 14 milhões e já foi visto por mais de 1 milhão de espectadores. Foi um bom negócio para os investidores?
Está sendo. Já estamos na casa dos 1,5 milhões de espectadores e ainda por cima o mercado internacional se mostra extremamente interessado no filme. Nesta semana o filme foi convidado para ser apresentado na maior encontro mundial contra corrupção, em Amsterdã na Holanda. Fomos homenageados na II Jornada de Investigação Criminal, em Gramado, com mais de 2000 autoridades e tendo o Juiz Sérgio Moro como um dos palestrantes. Lá também estavam representantes do FBI, chefes dos ministérios anticorrupção da Suíça e Itália. Também fomos homenageados na V Conferência Internacional de Prevenção a Corrupção no Rio de Janeiro.
9. Trata-se de uma trilogia. O segundo filme já começou a ser escrito ou gravado? Tem previsão de estreia nas telonas?
Já iniciamos o trabalho para o segundo filme, com a solicitação dos exibidores que lancemos em 2018. Ele deverá ira até a delação da JBS, o que mais uma vez comprova ser um filme é apartidário.
10. Você tem trabalhos com Leandro Hassun. Com é trabalhar com comédia no Brasil?
É muito bom e divertido, mas a pegada de comédia é totalmente diferente deste meu atual trabalho, com uma produção infinitamente menos complexa. Ainda assim, prefiro trabalhar com filme de ação e que se baseie em fatos reais. No “Policia Federal A Lei é Para Todos” me empenho para que possamos trazer a sociedade para repensar e assim levar o Brasil a um patamar melhor. Precisamos debater para que as mudanças continuem. Com a Lava Jato, o país já mudou bastante.