10 perguntas para Priscylla Luswarghi

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Priscylla Luswarghi
A rio-pretense Priscylla Luswarghi acaba de participar de um dos programas de maior audiência da televisão brasileira. Ela foi uma das integrantes do MasterChef Profissionais, reality show transmitido para todo o país. Lá, Priscylla fez bonito mostrando seu talento, sua força e sua personalidade. Neste bate-papo, ela relembra o início da carreira, fala da experiência de participar do programa e conta quais os planos após conquistar notoriedade nacional.
1. Antes de se tornar uma chef de cozinha profissional, como era sua vida em Rio Preto?
Antes de me tornar chef profissional, eu levava uma vida tranquila, bem familiar. Já cozinhava grande parte do tempo e conseguia passar mais tempo em casa. Nesta época eu estudava Direito pensando em seguir os passos dos meus pais.
2. E quando realmente você despertou para a possibilidade de se tornar uma chef de cozinha?
Sempre estive no ambiente de cozinha, minha mãe trabalhou muito para nos criar depois da perda do meu pai e assim cresci com meus avós, pescando, limpando o peixe, matando as galinhas no quintal e, neste contexto, sempre cozinhei. Entretanto, vinte anos depois, uma pessoa extremamente importante na minha vida me presenteou num aniversário com um jogo de facas profissionais e me pediu que usasse no meu trabalho. Até hoje isso me arrepia... ele enxergou em mim o que eu não enxerguei. E ali descobri meu lugar era na cozinha de um restaurante. Me formei em gastronomia e realmente passei a usar as facas no meu trabalho. Até as levei para o D.O.M.! Obrigada, Ronnie de Oliveira, você é um cara visionário.
3. Quais foram suas experiências profissionais mais importantes?
Meu primeiro emprego, ao lado dos chefs Tiago Caparroz e Ashok Korapati, no restaurante L'Osteria, em Rio Preto... eles são meus grandes mentores. E claro, ao lado do Alex Atala, no D.O.M., em São Paulo.
4. Você acaba de participar do reality show MasterChef Profissionais. Como surgiu esta oportunidade?
Surgiu como todas as grandes oportunidades na vida: repentinamente. Depois de grande incentivo da minha família e de algumas poucas pessoas próximas que acreditam em mim, me inscrevi e consegui a tão sonhada vaga.
"Não enxergo pontos negativos em ter participado do MasterChef. A exposição repentina assusta um pouco e, assim, os julgamentos das pessoas que apontam o dedo sem olharem pra si"
5. Qual foi a melhor parte de participar do programa?
Foi descobrir meus limites físicos, mentais e emocionais. E superá-los. Descobrir que tinha muito mais coragem em mim do que eu sabia. Abriu meus olhos pra saber que posso e sou capaz de fazer o que quiser. E que sou talentosa na cozinha.
6. Sendo um programa de disputa com enorme audiência, qual apontaria como lado negativo de fazer parte dele?
Acredito que nós selecionados somos privilegiados de estarmos lá, entre milhares de inscritos. Não enxergo pontos negativos em ter participado do MasterChef. A exposição repentina assusta um pouco e, assim, os julgamentos das pessoas que apontam o dedo sem olharem pra si. Mas, digo com firmeza, não é qualquer um que enfrenta algo assim. É preciso uma mente sã e um coração forte.
7. Como avalia o setor gastronômico de Rio Preto? Qual apontaria como principal erro do segmento?
Vejo um crescimento gigantesco. Hoje temos ótimos restaurantes, de todos os segmentos e culturas. Mas, uma coisa que sinto falta é a simplicidade. Hoje meus restaurantes favoritos de Rio Preto, com toda certeza, são o L'Osteria do chef Tiago Caparroz e o Mevi do chef Vinicius Mevi. Eles conciliam isso com perfeição, a elegância, o ótimo atendimento e a comida como tem que ser: sem artimanhas, clássica e muito boa.
8. Teórico e prático. Qual a importância de cada uma destas etapas na formação de um chef profissional?
Eu estudei e me formei em gastronomia, o que me deu uma ótima base no trabalho. Mas, o que me tornou uma cozinheira e chef foi vivenciar na pratica tudo isso. É tudo imensamente diferente do que vemos na teoria. É limpar meia tonelada de peixe de madrugada quase te levando à exaustão. É manter a disciplina impecável diante dos chefs acima de você. O calor, a pressão, o tempo curto, a luta pela excelência, a loucura da cozinha, a hierarquia. Viver isso de perto é o que separa os meninos dos homens. É o que te transforma num grande chef.
9. A carreira de chef de cozinha cresce cada vez mais. Qual a grande dica para quem sonha em se profissionalizar?
Ser curioso e trabalhar incessantemente. Abdicar da vida pessoal, pelo menos por um tempo. Ter consciência de que o trabalho de um cozinheiro, de um chef, não tem regalias, não tem final de semana, nem feriado. É preciso ter coragem e uma força interior muito grande, que geralmente vem do amor que sentimos por essa profissão tão linda. A nossa alucinação é suportar o dia a dia na cozinha e nossa recompensa é a experiência com coisas reais, respeitar cada matéria, cada animal, e transformá-lo numa obra de arte, nem que seja nosso tão amado arroz e feijão.
10. Com a saída do programa, quais são seus planos profissionais?
Por enquanto é continuar morando aqui em Rio Preto, onde tenho minha casa, meus cachorros, minha família. E devido aos compromissos do programa, ainda não consigo me fixar a um restaurante, então pretendo seguir a linha de personal chef assinando jantares, coquetéis, banquetes pra pessoas de bom gosto e que acreditam no meu trabalho. Um enorme prazer poder mostrar todo o meu aprendizado aqui nesta terra onde reside meu coração. Obrigado a todos que torceram por mim!