10 perguntas para Jorge Vermelho

Nathália Uzum
Jorge Vermelho
Jorge Vermelho é um dos mais importantes e atuantes nomes da cultura rio-pretense. Escreveu história repleta de espetáculos premiados desde que fundou a Cia. Azul Celeste há 27 anos. Até o dia 31 deste mês ele promove evento no Riopreto Shopping contando alguns dos momentos mais importantes desta trajetória por meio de exposições, workshops e acima de tudo, reflexão sobre a arte.
1. Em qual contexto nasceu a companhia de teatro Azul Celeste?
A Companhia foi fundada em 3 de março de 1989. O primeiro encontro aconteceu em um banco da Praça Cívica. Eu e Cássio Ibrahim (em memória) tínhamos o desejo de formar um coletivo que pudesse investigar as possibilidades da cena teatral.
2. Um grande evento montado no Riopreto Shopping segue até dia 31 festejando esta trajetória. O que o público encontra lá?
Irá encontrar uma retrospectiva muito rica da trajetória artística da Companhia Azul Celeste. Não só uma exposição de fotos, figurinos e troféus, mas um evento que reúne artistas de Rio Preto e convidados de São Paulo com o intuito de refletir sobre a arte teatral.
3. Nesta sexta-feira você recebe o ator Cacá Carvalho no Riopreto Shopping. Como será?
Cacá Carvalho é um dos atores mais potentes e importantes do Brasil. É um inquieto e sua arte está conectada com o teatro contemporâneo. Ele falará do papel do ator na sociedade.
4. Você sempre foi figura atuante no Festival Internacional de Teatro. Por que não está participando desta edição?
Dirigi o FIT por 9 anos e também participei em algumas edições com meus trabalhos. Na época em que eu era o Diretor, a Companhia Azul Celeste não se apresentava no festival, por uma questão ética. Neste ano estreamos o novo espetáculo em junho, o que impossibilitou realizar a inscrição no mês de março.
5. Como acredita deva ser o caminho para o FIT voltar a crescer?
O FIT tem que reconquistar credibilidade. Precisa dialogar com a modernidade. Se reinventar a cada ano. Caso contrário, acontece o que vimos. Esvaziou. Perdeu conceito e crédito. Precisa de uma gestão comprometida e antenada.
6. Então, sua avaliação dos 8 anos de Governo Valdomiro Lopes na área da cultura é negativa?
A atual administração desconstruiu a Cultura, como era de desejo deles. Tudo foi colocado abaixo. A cidade voltou a ter ares de província e é um reflexo do pensamento retrógrado que fez parte desta administração. A cidade perdeu muito. Para recuperar levará anos.
7. Qual a maior dificuldade de fazer teatro em Rio Preto?
Acho que um dos maiores problemas na cidade é a falta de ética profissional. Não existe uma classe unida que busque melhorias pensando no coletivo. Os anseios são individuais demais e isto enfraquece qualquer movimento.
8. Assim como você, quem são as figuras que levam o teatro rio-pretense?
Não podemos deixar de mencionar Dinorath do Vale, Humberto Sinibaldi Neto e José Eduardo Vendramine, que foram os precursores desta arte na cidade. Em Rio Preto existem algumas pessoas que pensam o teatro profissionalmente. Não digo profissionalmente na questão financeira, mas sim na relação ética entre a arte e seu público. E existem aquelas que fizeram do “teatro” simples mercadoria de negociação. O Teatro, verdadeiramente, solicita mergulho vertical e abdicação de desejos pessoais para ter a potência de se transformar em manifestação coletiva.
9. Conte uma boa história ocorrida nesta trajetória cultural.
Em 27 anos de estrada colecionamos uma infinidade de boas histórias. Mas já que fui convidado a contar uma só, me lembro quando participamos do Festival de Teatro de Curitiba. Fizemos 4 apresentações naquele ano de 2001. Estávamos na programação com mais outros 300 espetáculos de todo o Brasil. Quando estávamos prontos para iniciar a última apresentação, 30 minutos antes do espetáculo recebemos a visita da Comissão de Críticos do Festival, nos dando a notícia que tínhamos sido eleitos pela crítica como o melhor espetáculo daquele ano. A apresentação teve um tom emocionante e no dia seguinte éramos capa da Folha Ilustrada. Registrado na memória.
10. Quem são os maiores incentivadores da cena cultural em Rio Preto?
O público.