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Eleições

‘Onda Bolsonaro’ e falhas em estratégias deixam Rio Preto politicamente menor

Único candidato com base na cidade que conseguiu ser eleito, Luiz Carlos Motta diz que trabalho será permanente como deputado federal

A classe política de Rio Preto ainda tenta encontrar os motivos para um resultado tão desastroso nas eleições de domingo, dia 7. A cidade perdeu representatividade tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa. Dos nove deputados estaduais da região na Assembleia eleitos em 2014, apenas três se reelegeram. Ficaram de fora três nomes conhecidos de Rio Preto: Vaz de Lima (PSDB), João Paulo Rillo (PSOL) e Orlando Bolçone (PSB). Sinval Malheiros (Podemos), de Catanduva, também não foi reeleito. Entre os estaduais, só foram reeleitos Itamar Borges (MDB), de Santa Fé do Sul, Sebastião Santos (PRB), de Barretos, e Carlão Pignatari (PSDB), de Votuporanga. 

Quando se analisa a Câmara Federal os resultados também surpreenderam. Nomes como o do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB) e de Eleuses Paiva (PSD), vice-prefeito da cidade, e que contava com o apoio do prefeito Edinho Araújo (MDB), acabaram decepcionando. O contraponto, neste caso, foram as eleições de Fausto Pinato (PP), de Fernandópolis, pela segunda vez consecutiva, do ex-prefeito de Olímpia Geninho Zuliani (DEM)  e do sindicalista Luiz Carlos Motta (PR), com 75.218 votos, que é de Rio Preto e passa a ser o único representante da cidade na Câmara Federal a partir do ano que vem. 

Motta credita a vitória ao trabalho que desenvolve a frente da Federação dos Comerciários e às viagens pelo Estado de São Paulo onde afirma que manteve “um diálogo franco e aberto com o eleitorado”.

“Esta campanha foi atípica. Tivemos que trabalhar a aversão de muitos eleitores perante a política e instituições, principalmente em relação ao Congresso Nacional. Mas, com base em minhas propostas e nas atividades que desenvolvo a frente da Federação dos Comerciários, fundamentadas no sindicalismo-cidadão, estas eventuais resistências foram superadas”, diz.

Motta não esconde que a relação junto ao movimento sindical facilitou o convencimento dos eleitores. “Estas relações foram construídas pelo nosso movimento político chamado Corrente Comerciária, junto a qual atuam os 71 sindicatos filiados à Federação e que tiveram papel importante na minha eleição, como o Sincomerciários de Rio Preto, presidido pela vereadora Márcia Caldas (PPS)”.  Além de Caldas, Motta teve apoio de outros cinco vereadores da Câmara Municipal, entre eles o de Fábio Marcondes (PR), ex-presidente do Legislativo.

Sobre a queda de representatividade de Rio Preto, principalmente na Assembleia Legislativa, o deputado eleito afirma que vários fatores podem ser utilizados para explicar o fraco desempenho, entre eles, a atenção do eleitor para candidaturas de fora.

“Diria que os votos foram atraídos por elas, a exemplo das candidaturas de Eduardo Bolsonaro e Janaína Paschoal, entre outras. Há também o cálculo do quociente eleitoral que barra candidaturas muito bem votadas. Deve-se considerar, ainda, o elevado número de abstenções e votos nulos e brancos. Infelizmente, a junção destes fatores resultou nesta perda de representatividade”, disse Motta.  

Efeito Bolsonaro  

A “Onda Bolsonaro” nestas eleições é apontada entre especialistas e pelos próprios candidatos derrotados como o principal motivo para o insucesso nas urnas. O candidato a Presidência conseguiu que nomes do partido dele fossem bem votados em cidades onde não tem a menor ligação política e histórica. Em Rio Preto, os casos mais emblemáticos são de Janaina Paschoal (PSL), eleita deputada estadual com mais de 2 milhões de votos, recorde da história, e os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL), e a jornalista Joice Hasselmann (PSL), ambos eleitos. Janaína, que nunca esteve em Rio Preto, conseguiu 29.713 votos, sendo a mais votada pelos rio-pretenses. Já Eduardo, com 20.366 votos, e Joice com 17.699 votos, aparecem respectivamente como segundo e terceiro colocados no ranking.

Segundo o consultor político Gilberto Musto, o anseio pela renovação e a falta de atenção de candidatos com a integração nas redes sociais foram determinantes. “Em Rio Preto, por exemplo, era muito mais fácil conversar ou ser atingido nas redes sociais por um vídeo do Eduardo Bolsonaro do que por um político aqui da região. Rádio e TV pouco contribuíram”.

Para Musto a estratégia tradicional de se cooptar lideranças comunitárias para atrair votos se mostrou ultrapassada. “Os políticos profissionais de carreira exerciam influência na mobilização das equipes de campanha de uma forma impiedosa. O candidato novo não tinha condições de bancar isso. A estrutura daqueles que já tem mandato e com recursos públicos faziam a diferença. Saíram de cena aqueles políticos mais antigos, que dão menos importância a comunicação e que acreditam levar vantagem única e exclusivamente por já serem deputados. Imaginavam que a população já os tinha como heróis”, explicou Gilberto.

Por Raphael Ferrari em 10/10/2018 às 23:59
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