Crônicas

Os irmãos natureba

Crônica escrita pela jornalista Patricia Andrik, autora do blog www.meioalicemeioamelia.com.br

Com o apoio da Greta, decidi mudar a minha alimentação. Dei um tempo na relação com as coxinhas do Vila Dionísio e comecei a investir em saladas e lanches naturais. Foi justamente em busca de refeições menos calóricas que conhecemos um lugar bem bonitinho chamado “Natureba”, uma lanchonete especializada em pratos leves comandada por dois irmãos que chamavam tanta atenção quanto o cardápio. Cássio e Reinaldo tinham menos de 30 anos e mais de 1,85m de altura. Bonitos e simpáticos, ainda sabiam cozinhar. Um prato cheio pra duas mulheres solteiras que estavam loucas pra mudar os hábitos alimentares.

 Acontece que, na época, eu ainda estava completamente focada na minha conturbada relação com o Beto. Ele ligava pelo menos uma vez por semana para saber se eu tinha me adaptado, se estava conseguindo progredir no trabalho e coisas do tipo. Não ficávamos menos do que vinte minutos no telefone a cada ligação e no final de todas, ele dizia que sentia a minha falta. Perdi a conta de quantas vezes pedi para que ele viesse até Rio Preto me ver, conhecer minha nova cidade, meu apartamentinho, as capivaras da represa. A resposta era sempre a mesma “um dia desses eu vou”.

Frequentemente eu desligava o telefone chorando porque tinha esperança de que ele pudesse dizer algo diferente daquilo que eu já esperava. Mas o tempo ia passando, a saudade aumentava, e a angústia parecia não ter fim. Assim, não sobrava empenho pra paquerar um dos irmãos natureba. Até porque, os dois pareciam mais interessados na Greta do que em mim. De tanto irmos na lanchonete, acabamos conhecendo os dois meninos. O Cássio era mais travado, tímido, de poucas palavras e beleza angelical. O Reinaldo, intelectual, amante da boa música, sexy e misterioso. Logo descobrimos que os dois eram apenas irmãos de criação, já que, ao melhor estilo novela das 7, o pai de um tinha casado com a mãe do outro, e todos viviam felizes na mesma casa.

Como tudo que é mais difícil, é mais gostoso, a Greta foi se interessar justo pelo irmão mais lerdo. O Cássio tinha um relacionamento à distância com uma menina do Sul do País, onde ele tinha feito a faculdade de gastronomia. Ainda assim, a Greta insistiu, mas o negócio demorou horrores para rolar. Vira e mexe a gente chamava uns amigos gays bonitos só pra dar aquela chacoalhada nos irmãos. Nossos acompanhantes eram unânimes durante as nossas refeições “os donos não tiram os olhos daqui”... Aos poucos, começaram a surgir os convites pra sair. Eles pediram nossos telefones, nós anotamos os deles e aos finais de semana, quando a lanchonete fechava por volta das duas da manhã, eles mandavam mensagens perguntando se estávamos em algum lugar ou se gostaríamos de tomar uma cerveja com eles.

 Nós quatro nos divertíamos muito juntos. Tanto que às vezes pintava uma dúvida...

 - Greta, você tem certeza que quer ficar com o Cássio?

- Ai, Melí, que pergunta... Acho o Cássio uma graça, por quê?

- Sei lá... Acho o Reinaldo bem mais a sua cara... E ele te dá ca-da olhada...

- Será, Melí?

- Ahhh... se eu fosse você, repensava o caso - risos

(continua)

 Patricia Andrik é jornalista e autora do blog “Meio Alice, meio Amélia”. Trabalha há quase dez anos na área de TV e atua também como docente de uma faculdade de comunicação da região. Casada, romântica e sonhadora, não deixa passar um acontecimento da vida sem que lhe sirva de inspiração

Por Patricia Andrik em 05/05/2016 às 17:00
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