Crônicas

Os irmãos natureba (2)

Crônica escrita pela jornalista Patricia Andrik, autora do blog www.meioalicemeioamelia.com.br

 - Mentira que você tá desenhando um coração no cardápio dos irmãos natureba!!!

 - Ai Melí... Nem tinha me tocado! Gosto de corações, ué...

 - Ah tá! Sei não, Greta... Tá muito engraçada essa história... Você tá parecendo a Alinne Moraes naquela novela que ela começava com um irmão, ficava tetraplégica e depois terminava com o outro irmão... Como era mesmo o nome?

 - "Viver a Vida"! Alinne Moraes diva, interpretando a Luciana... foi um desbunde! E o Mateus Solano fazendo o Jorge e o Miguel. Foi o máximo essa novela! Quem me dera fazer um papel desses...

 - Então, Luciana! Falta saber quem é o Jorge e quem é o Miguel nessa história(risos)...

 - Acha, Melí... Aquela carinha angelical do Cássio já me conquistou. Só falta saber se ele é sempre um anjinho ou se tem algo de diabinho. Lerdo eu já sei que é...

 - Ai Greta, você não presta! Hahahaha

 Naquela semana nós fomos, como sempre, jantar no Natureba. E, como quase sempre também, ficamos até fechar. Enquanto eu engatava um papo proposital com o Reinaldo, o Cássio finalmente se ofereceu pra levar a Greta pra casa. Como eu estava de carro, acabei indo pra casa sozinha.

 Na porta do prédio o Cássio resolveu atacar e os dois ficaram nos amassos até umas duas da manhã. Morar na casa da mãe estava sendo um grande problema pra Greta. Primeiro porque a Dona Júlia, de coração, era chata pra cacete! Controlava a menina de todas as formas possíveis e imagináveis. Mal sabia que, longe dos olhos dela, a Greta aprontava horrores! No Rio de Janeiro, ela vivia de festa em festa e, como morava com mais duas amigas atrizes, o apartamento delas tinha um entra e sai danado de belos rapazes.

 Conforme íamos ficando mais amigas, eu entendi que a Greta só continuava na casa da mãe porque tinha voltado pra Rio Preto totalmente quebrada, sem dinheiro pra nada! Já fazia tempo que ela não arrumava um trabalho legal no RJ e o pouco que ganhava fazendo freelas, gastava em roupas, sapatos, bolsas e bebidas.

Acho que eu era a única que sabia que o discurso da "atriz da Globo que resolveu voltar para o seio da mãe por amor à terra natal" era tudo balela!

 De qualquer maneira, a Greta tentava manter a aparência, mas por dentro sofria muito com a falta de prestígio e o fracasso que sentia pela falida carreira.  

Lidar com a falta de sucesso depois de já ter passado por ele era ingrato. Uma decepção que a corroía por dentro e, por vezes, tirava totalmente o brilho de seus lindos olhos verdes.

 Não que eu tenha qualquer especialização em psicologia. Mas sempre achei que essa coisa da Greta querer sempre viver loucamente e trocar de amor como quem troca de calcinha, era uma forma de compensar a pressão que a Dna. Júlia fazia pra ela ser alguém que não queria, nem gostava de ser.

 Quando o fim de semana chegou e a Greta já estava alucinada para avançar o sinal com o Cássio, o pessoal do meu trabalho combinou de ir pro antigo Dalí's. Eu e a Greta fomos junto com o Cacá, a Elizângela, o Zetti, a namorada e mais uma galera. Os "irmãos natureba" ficaram de ir mais tarde, quando fechasse a lanchonete.

 A balada foi ótima pra distrair minha cabeça e confesso que passei a noite inteirinha sem pensar no Beto.

A Greta logo se enturmou com o pessoal da redação e eu também pude conhecer melhor outros colegas de lá como o Vinícius, a Lara, o Alexandre e a Fernanda.

 Vira e mexe eu via a Greta olhando pra porta. E só pelas duas e pouco da manhã o sorriso dela se abriu novamente.

O Cássio era esquisito e, por conta da tal namorada lá do Sul do País, mal chegou perto da Greta em público. Ficaram só no papo, mas combinaram de continuar a noite num motel.

 Já era quase cinco da manhã quando decidimos ir embora. Na saída a Greta gritou:

- Fabinho, não acredito! Quanto tempo!!!

 Um longo abraço se sucedeu pra desespero do Cássio...

 - Essa aqui é a Maria Amélia, esse é o pessoal... Que pena te encontrar só agora. A gente já está de saída e eu tô com uma super pressa...

 A pressa, obviamente, era pra dar. E como eu não tinha o mesmo objetivo, pelo menos tentei ser educada.

 - Oi, prazer!

 - O prazer é meu, Maria Amélia!

 - Pode me chamar de Melí...

 - Você é daqui de Rio Preto?

 - Na verdade sou de Santos, me mudei pra cá faz pouco tempo...

 Senti um sussurro no ouvido:

 - Melííí... já rolou!

 - O quê, Vinícius?

 - Você e o Fabinho Albuquerque... Já rolou!

 Imaginando o quanto aquele sussurro era surreal, voltei a atenção pro amigo da Greta:

 - Bom... É Fábio, né?!

 - Fabinho!

 - Fabinho... preciso ir... O pessoal tá me esperando...

 - Ahh... Você precisa mesmo ir?

 

Patricia Andrik é jornalista e autora do blog “Meio Alice, meio Amélia”. Trabalha há quase dez anos na área de TV e atua também como docente de uma faculdade de comunicação da região. Casada, romântica e sonhadora, não deixa passar um acontecimento da vida sem que lhe sirva de inspiração.

Por Patricia Andrik em 16/05/2016 às 11:00
JK Essencial Residence