Crônicas

A garota da Malhação

Crônica escrita pela jornalista Patricia Andrik, autora do blog www.meioalicemeioamelia.com.br

 Não que eu tenha conquistado muita coisa na vida... Mas também estou longe de me considerar uma pessoa frustrada.

 Tá certo que não viajei tudo o que gostaria de ter viajado, nem conheci tudo o que gostaria de ter conhecido. Mas como falei num dos primeiros posts desse blog, a aliança de ouro ainda reluzente na mão esquerda me dá a certeza de que conquistei um dos meus maiores sonhos: encontrar um príncipe encantado.

Com bem menos glamour, os pequenos calos nos pés e as dores constantes no corpo também não me deixam esquecer de outro grande sonho realizado: o de dançar por amor, e também por profissão.

 Ainda assim, tem coisas simples que eu jamais conquistei. Entre elas – já pedindo desculpas pela futilidade – está o fato de que nunca deixei de brigar com a balança...

Lembro bem que, até no auge da minha carreira de bailarina quando pesava menos de 56 Kg, eu vivia escutando que precisava emagrecer. E aí entra uma coisa importante que vocês precisam saber a meu respeito: sou uma daquelas mulheres que sofrem e descontam tudo na comida.

 Quando recebi a notícia de que teria que me mudar pra Rio Preto, lá no início de 2010, o choque foi tamanho que a cinturinha definida (que já não era a de bailarina) começou a sentir os efeitos da tal ansiedade exacerbada.

Depois de duas semanas morando num hotel e comendo fora em todas as refeições, mudei para o apartamento e descobri as maravilhas de não ter horário nem obrigação pra nada. Era perfeitamente possível comer o que eu quisesse, na hora que eu quisesse. Como sempre gostei de cozinhar, eu caprichava muito nas minhas criações gastronômicas. Foi um verdadeiro deleite! A fase do “banquete só pra um”.

 Me enturmar com a nova equipe de trabalho também foi bem tranquilo. Os convites pra jantar vinham quase que de segunda a segunda. O problema foi que demorei bastante pra perceber que é impossível abraçar a liberdade de comer o que quiser, na hora que quiser, sem ganhar quilinhos e vários centímetros à mais.

E quando se ganha peso, perde-se na auto-estima. Pelo menos pra mim, que não nasci com o ego voltado pra Lua, nem em Leão com ascendente Escorpião.

Assim, com as calças ficando apertadas e o Beto tentando se reaproximar para “ser só meu amigo”, no segundo mês da vida em Rio Preto a minha auto-estima estava beirando a sola dos sapatos.

Pro meu azar, justamente num dia daqueles que o cabelo não acorda católico e nem toda maquiagem do mundo dá jeito numa espinha, eu recebi uma pauta retrancada da seguinte maneira: GAROTA / MALHAÇÃO.

 Minha tarefa era fazer uma entrevista com uma tal de Greta Sanmarco, atriz rio-pretense que eu nunca tinha ouvido falar!

A pauta dizia que a moça, de 27 anos, começou a carreira como um "bebê Johnson", ganhou inúmeros concursos de Mini Princesa do Rodeio e Miss Festa do Milho e tinha feito sucesso na Malhação de mil novecentos e bolinha, Depois disso apenas algumas peças de teatro “b” figuravam em seu currículo.

 A Elizângela, minha colega que produziu a matéria, explicou que ela era até conhecidinha na cidade, mas que as más línguas diziam que, depois da novelinha da Rede Globo, ela nunca mais tinha conseguido um bom trabalho. A Eli também me contou em off que a fama da menina era grande mesmo entre os homens e que ela só voltava pra mídia quando aparecia acompanhando alguém mais famoso – o que, aliás, era constante.

 A matéria deveria enfatizar que a tal Greta tinha acabado de voltar pra Rio Preto, que o bom filho à casa torna e tudo o mais. Mas o fato é que a mãe da menina, uma tal de Dna. Júlia, que também era a empresária dela, tinha implorado pra gente fazer a reportagem...

Imaginando o quanto seria chata aquela entrevista com a tal garota fútil e biscate da Malhação, tive a infeliz ideia de pesquisar umas imagens no Google para ver a cara da menina e não cometer nenhuma gafe quando chegasse ao local.

Alta, magra, loira, de olhos verdes e expressivos. Absurdamente bonita!

Era um tiro de fuzil na minha auto-estima...

(continua)

Patricia Andrik é jornalista e autora do blog “Meio Alice, meio Amélia”. Trabalha há quase dez anos na área de TV e atua também como docente de uma faculdade de comunicação da região. Casada, romântica e sonhadora, não deixa passar um acontecimento da vida sem que lhe sirva de inspiração.

 

Fonte: www.meioalicemeioamelia.com.br

Por Patricia Andrik em 01/02/2016 às 16:00