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Cidades

Chuvas agravam problema dos buracos em ruas de Rio Preto

Em pelo menos dois pontos da cidade existe o risco de acidentes graves, onde apenas cones e cavaletes indicam a existência de crateras no asfalto

Novembro chegou e com ele os transtornos causados pelas constantes chuvas que caem em Rio Preto nos últimos dias. Na madrugada de domingo, dia 4, bairros da cidade sofreram com pontos de alagamento. Além da água acumulada, um efeito bastante comum neste período chuvoso é a deterioração do pavimento asfáltico de ruas e avenidas da cidade e, como consequência, o surgimento de buracos.

As reclamações de moradores aumentaram nestes últimos dias por conta de antigos buracos, que não receberam reparo por parte da Prefeitura e acabaram aumentando de extensão, enquanto que em outras vias, eles acabaram aparecendo.

Na rua Professor Francisco Purita, no cruzamento com a Argemiro Rodrigues Goulart, no Parque Estoril, já uma cratera no centro da via e até o momento está sinalizado apenas com cones. Devido a profundidade, caso algum motorista despercebido trafegue com o veículo próximo ao local, o asfalto ao redor pode ceder.

Em outro caso encontrado pela Gazeta, uma cratera também foi aberta na rua Dr. José Milton de Freitas, em frente ao número 766, no bairro Higienópolis. O curioso é que como no primeiro caso, o local foi sinalizado, agora com cavaletes, mas também representa perigo, porque o asfalto ao lado do buraco está prestes a ceder sem que nenhuma barreira tenha sido colocada para evitar o trafego de veículos. “Moro aqui no bairro e passo todos os dias nesta rua. Como está chovendo percebi que o asfalto está cada vem mais fundo. Não vai demorar para algum carro passar aqui e afundar junto. Cadê a Prefeitura?”, questiona indignado o comerciante Carlos dos Santos, de 52 anos.

A Prefeitura informa que no caso do buraco da rua Dr. José Milton de Freitas “após vistoria e sondagem do local, ficou evidenciado que o problema foi causado pela rede de esgoto (antiga), que se rompeu devido às intervenções próximas pela obra antienchente e causou o afundamento”. Em relação ao outro caso mostrado, a Prefeitura diz que irá até o local para avaliar o problema e buscar a solução.

Velho problema atormenta os rio-pretenses

A Gazeta de Rio Preto mostrou em reportagem no mês de agosto que em bairros da região sul que receberam intervenções das obras antienchentes, o asfalto constantemente vem cedendo. Na reportagem foi mostrado que trechos das ruas Otávio Pinto César e Gago Coutinho, e na rua João Alfredo, no bairro Cidade Nova, haviam cedido formando crateras.

Na rua Otávio Pinto César, que aos sábados recebe uma feira livre, vários pontos já receberam reparos por parte da Prefeitura. O que chama atenção é que nestas ruas houve intervenções de micro e macro drenagens, previstas nas obras antienchente. Ou seja, apesar de terem sido entregues e refeitas, em alguns casos, o problema do afundamento de ruas da região sul da cidade continua.

A região foi escolhida para receber as intervenções porque, segundo especialistas, os bairros não tinham galerias de águas pluviais. Com isso, quando eram registradas chuvas de grandes proporções, as águas se deslocavam rapidamente até a região da avenida Brasilusa. Com as obras, o subsolo dessas ruas recebeu tubulações e galerias de represamento das águas. A obra antienchente custou R$ 165 milhões, e ficou a cargo da Constroeste. Ao todo foram afetados cerca de 50 bairros da cidade, em especial os vizinhos às avenidas Bady Bassitt, José Munia e Brasilusa, onde foi construído o maior piscinão do projeto, com cerca de 18 metros de profundidade. Depois de seis meses de investigação, uma CPI na Câmara Municipal que investigou as obras executadas durante o segundo mandato do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), de 2013 a 2016, terminou a apuração no fim de outubro do ano passado sem chegar a conclusão dos pontos que se propôs a investigar. Um deles é se houve superfaturamento no projeto e se as obras de fato são eficientes. A CPI chegou a pedir a contratação de perito ao presidente da Câmara, Jean Charles (PMDB), mas a solicitação foi rejeitada, com o argumento de que o requerimento que criou a CPI não trouxe o pedido. O caso segue com o Ministério Público, que até o momento não avançou nas apurações.

O próprio contrato assinado entre Prefeitura e a empresa Constroeste prevê que, detectada alguma falha na execução da obra, a empresa, obrigatoriamente, deve refazer o serviço sem custos aos cofres públicos.

Prefeitura nega relação

Nos dois casos citados no início da reportagem, de buracos em bairros que receberam as obras antienchente, a Prefeitura alega que não pode determinar com exatidão se existe alguma relação. “É necessário estudar caso a caso estes ‘buracos’ para apurar responsabilidades, pois nem todos são decorrentes das intervenções da obra antienchente e toda pavimentação asfáltica necessita de manutenção”. Atualmente existe apenas um contrato para o serviço de recape de vias em Rio Preto.

A empresa Noromix Concreto S.A vencedora de licitação por R$ 4 milhões deverá recapear aproximadamente 18 quilômetros de vias. Está em andamento outra licitação para contratação de empresa para execução de recapeamento asfáltico com previsão de abertura das propostas no dia 12 deste mês. Serão de 200 quilômetros de recape. A licitação prevê gasto de até R$ 60 milhões com o serviço que tem prazo de duração de 19 meses. No início do mês de outubro, em coletiva para anunciar a nova licitação, o prefeito Edinho Araújo (MDB) afirmou que “o tapa-buraco não se justifica”. “Vamos priorizar as principais vias, onde tem maior fluxo”, disse. Uma das críticas da população ao atual governo é que seriam priorizadas ruas e avenidas da região central, em detrimento dos bairros periféricos onde o problema dos buracos seria ainda maior. Questionada pela Gazeta a Prefeitura explica que de fato as vias com maior fluxo de veículos e as que interligam os bairros “são prioridade, devido ao beneficiamento do maior número de usuários”. Sobre as ruas que cortam os bairros, o governo alega que “também estão contempladas, inclusive existem serviços que também são realizados por outras secretarias, como a de Serviços Gerais. O “tapa-buraco” é realizado de acordo com a demanda de toda cidade”, finaliza.

Por Raphael Ferrari em 08/11/2018 às 23:59
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