Cidades

Em onze dias, metalúrgica é invadida quatro vezes por criminosos

Proprietário do estabelecimento registrou as ocorrências e cogita encerrar as atividades por conta dos prejuízos acumulados pela empresa no período

Desde 30 de abril, o empresário Wilson Rodrigues da Silva, 58 anos, vê a empresa dele - uma metalúrgica que fabrica peças de bicicletas - sem produção e com os cinco funcionários parados. O motivo é que o estabelecimento, instalado na avenida Mirassolândia, no bairro Eldorado, foi invadido quatro vezes nos últimos onze dias.

Criminosos furtaram fiações, ferramentas, eletroeletrônicos e até botijão de gás. Em uma das invasões, um pedido de “desculpas” foi escrito na parede do escritório. Ladrões alegavam que estavam praticando os delitos devido à crise e o desemprego. “É um sentimento que mistura tristeza, decepção, impotência e revolta” desabafa o empresário, que afirma não ter renda para pagar os funcionários.

“Estamos no dia 10 e não sei o que faço. Não temos linha de produção, não tenho renda e só acumulei prejuízo. Sofremos uma invasão e arcamos com dívidas, depois vieram mais três. O dinheiro só está saindo e não está entrando. O país vive uma crise desde 2014, além do momento difícil no mercado e esta sequência de furtos faz com que eu cogite até fechar as portas, porque está inviável. Se isto acontecer são mais cinco pais de família sem emprego. É lamentável”, diz Wilson.

O empresário não tem os valores exatos dos danos sofridos. Somente na ação criminosa do dia 30 de abril, o prejuízo era superior a R$ 10 mil, porque um lote com cerca de 200 secadores de cabelo comprados em um leilão, e que seriam revendidos, foram levados.

Além dos secadores também foram levadas ferramentas, peças de alumínio da linha de produção, um tablet e um botijão de gás. Antes de deixar o estabelecimento, o ladrão escreveu um pedido de desculpas na parede do escritório. A mensagem, escrita com um pincel atômico, dizia: “Desculpe pela bagunça, mas a fome, a miséria e o desemprego atingiram a todos. Me perdoe, em nome de Jesus”.

Quatro dias depois, no dia 3 de maio, um vizinho da metalúrgica viu um desconhecido em cima do telhado do estabelecimento e ligou para o empresário. “Este conhecido disse quais eram as roupas que este rapaz estava usando. Corri para lá, mas já não tinha mais ninguém. Comecei a rodar as ruas do bairro até que o encontrei. Liguei para Polícia Militar e ele foi preso”, conta Wilson.

O desempregado, de 33 anos, detido pela PM tinha furtado a caixa de energia. “Acredito que o sujeito já deva estar solto”, afirma. As duas últimas invasões aconteceram nesta semana. “Eles voltaram a invadir a empresa na terça e na quarta-feira. Nem um portão, de quase quatro metros, não é capaz de detê-los. Na quarta, entraram pelo telhado. Quando não é pelo telhado, arrombam as portas”, diz o empresário.

Wilson reclama da burocracia enfrentada e diz que não vê ajuda para solução do problema. “É o quarto boletim de ocorrência que eu registrei, mas nada foi feito. A Polícia Científica vai ao local, tira foto, constata o que levaram e parece que fica só nisso. Pago imposto e parte deste valor é destinado para segurança da população. Agora eu pergunto: cadê minha segurança?”

A falta de fiscalização também é alvo das críticas do empresário. “Quem furta aqui vai revender os cobres e alumínios onde? Nos ferros velhos. Quem compra o material sabe que veio de forma ilícita, e mesmo assim faz vista grossa. Tinham que fiscalizar todos os ferros velhos da cidade para impedir que isso continue. Porque é sempre assim: furtam aqui, vendem ali. Como ficam todos impunes, vão praticar sempre os delitos. E ninguém vai fazer nada?” questiona. Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil. O estabelecimento comercial não possui sistema de câmeras de segurança.

 

Por Alex Pelicer em 10/05/2018 às 23:59