Cidades

Polícia conclui inquérito sobre morte de Kelly, mas família contesta detalhes

Investigação confirma que jovem de 22 anos foi morta por asfixia e vítima de violência sexual; autor confesso do crime foi indiciado por latrocínio, estupro e ocultação de cadáver

A Polícia Civil de Frutal concluiu o inquérito da morte da vendedora Kelly Cadamuro, de 22 anos. A jovem foi vítima de latrocínio - roubo seguido de morte -, após uma carona combinada pelo WhatsApp, por meio de um grupo de moradores de Rio Preto e Itapagipe (MG). O assassino confesso Jonathan Pereira do Prado, de 33 anos, também responderá pelos crimes de estupro e ocultação de cadáver. Mesmo com o responsável preso e a conclusão do inquérito, para família da jovem há detalhes do crime que não foram esclarecidos pela investigação policial, por isso contrataram um advogado para acompanhar o caso. Também cogitam a possibilidade da contratação de um perito especialista em imagens para analisar as gravações da praça de pedágio, em Fronteira (MG).  A família quer ter certeza se o assassino agiu sozinho.  

O advogado Jorge Argemino, contratado pela família de Kelly, deixou claro em entrevista à Gazeta que o inquéritos foi muito bem elaborado, porém existem algumas pequenas lacunas sem respostas. “Não estamos questionando o trabalho da Polícia Civil, apenas buscamos respostas para alguns pontos que ficarão abertos, como a quebra do sigilo telefônico, um capacete encontrado junto com o carro abandonado e o suposto envolvimento de uma mulher na troca de mensagens. Também não queremos dúvidas quanto às imagens da praça de pedágio, por isso um perito em imagens será contratado para afirmar ou descartar a possibilidade de uma terceira pessoa no carro”, diz.

Argemino afirma ainda que há ligações feitas pelo celular da vítima após o crime. “O aparelho da Kelly foi usado logo depois do crime, mas até agora não se sabe quem recebeu a ligação. Este é um dos pontos que gostaríamos de desvendar. Qual foi o conteúdo desta conversa? Quem recebeu as ligações? Era homem ou uma mulher?”, questiona o advogado.

Um dia antes de ser morta, familiares afirmam que uma mulher teria entrado em contato com a Kelly combinando a carona até Itapagipe, porém para a Polícia Civil de Minas Gerais não houve este contato telefônico, mas sim conversas pelo aplicativo, e que Jonathan teria se passado por mulher para convencer à jovem.

No dia 2 de novembro, quando o carro da Kelly foi encontrado na área rural de Rio Preto sem as rodas e o aparelho de som, o advogado afirma que um capacete estava jogado próximo ao veículo e este detalhe não foi levado em consideração nas investigações. “Outro ponto a ser analisado foi o fato do capacete. Essa pessoa, que estaria em uma motocicleta, foi até o local onde estava o carro só para dar carona ao Jonathan ou teve alguma participação a mais? O Jonathan no inquérito afirma que um primo foi até a estrada entre Rio Preto e Mirassol para resgatá-lo, e este estaria de carro. Então de quem é o capacete e o que o equipamente estava fazendo ali?”,  indaga o advogado.

Após o crime, Jonathan retornou a Rio Preto, câmeras de segurança da praça de pedágio em Frutal registram o homem no interior do carro. Mas para alguns familiares existe um reflexo no assento do passageiro que chama atenção. “As gravações não mostram com clareza, mas a impressão que dá é que no carro tem uma segunda pessoa, quando o Jonathan passa pelo pedágio. Um perito poderá dizer se é um reflexo ou uma outra pessoa juntamente com Jonathan”, concluí.

Conclusão do Caso

Na tarde desta segunda-feira, dia 13, durante uma coletiva em Frutal, o delegado responsável pelo caso, Bruno Giovanini de Paula, deu detalhes sobre os crimes que o autor irá responder e como a Polícia Civil chegou a conclusão do inquérito.  Quando questionado sobre as ações tomadas pela família de Kelly sobre a contratação de um advogado e um perito de imagens, ele disse entender a situação da família, mas acredita que o caso poderá ser encerrado.

“Na qualidade de vítimas, os familiares têm sim todo o direito de buscar o máximo de informações e também o máximo de colaboração da polícia. Posso afirmar que dentro deste prazo de dez dias que tínhamos por obrigação legal, produzimos muitos elementos. A chefia da Polícia Civil de Minas focou toda a atenção e esforços nestas investigações. Fizemos todos levantamentos e laudos ao nosso alcance para chegar a tais conclusões. Cabe a família contestar sim. Eles têm o direito de correr atrás de tudo que eles acreditarem e o que julgarem o mais justo em memória da vítima”, afirma.

Quando questionado sobre os crimes, o delegado afirma que existem provas suficientes para indiciar Jonathan por latrocínio, estupro e ocultação de cadáver. “O latrocínio ficou bem configurado. Conseguimos entender a intenção de subtração de patrimônio, bem como a morte da vítima. O que gerou mais dúvida foi o crime de estupro, temos que ter em mente de desde a alteração do código penal em 2009, atos libidinosos já enquadra neste artigo. Não limitado apenas a conjunção carnal. Na avaliação de local e nos laudos de levantamento ficou claro que houve atos libidinosos, razão pela qual o indiciamos por estupro. E ocultação de cadáver, entende-se pelo fato de ele tentar esconder o corpo em um local de difícil acesso se enquadra neste crime”, conta o delegado.

Mandante ou participação de terceiros

Para o delegado Bruno Giovanini de Paula ficou claro que não houve mandante o crime. “Descartamos esta hipótese (de um crime encomendado) quando identificamos outras pessoas, outras testemunhas que foram contatadas pelo Jonathan as vésperas do crime. Ele procurava outras pessoas para pegar carona, não tinha uma vítima pré-determinada. Daí afastou a hipótese de um mandante. Analisamos tranquilamente as câmeras, fizemos uma analise dos locais que foram percorridos momentos antes do crime. Não há como ter participação de um terceiro. Ficou claro também na reconstituição do crime que ele agiu sozinho”, afirma o Bruno.

Com a conclusão do inquérito policial, o caso deverá ser encaminhado ao Ministério Público para a elaboração da denúncia. Se for condenado por todos os crimes, Jonathan poderá receber pena de mais de 30 anos de prisão. “Quando questionado sobre a possível ligação que Kelly teria recebido de uma mulher, o delegado também afirma não ter ligação com a morte da jovem. “Este é um detalhe bem complexo. Quando ela (Kelly) disse que uma mulher entrou em contato não ficou específico se foi via mensagem. Naquele dia várias pessoas entraram em contato a respeito do anúncio. Trabalhamos com a hipótese de que o Jonathan entrou em contato direto com a Kelly, não há uma terceira pessoa. Isso podemos ver pelo que foi colhido nos telefones do envolvidos”, afirma.

Por Alex Pelicer em 13/11/2017 às 19:00
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