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Bolsa de Mulher

Não sou o Julius, mas tenho dois empregos

48% dos brasileiros têm duas fontes de renda, seja para ajudar no orçamento ou realizar sonhos

 

Para quem é fã da série americana “Todo Mundo Odeia o Chris”, a frase “Meu Marido têm dois empregos”, dita pela personagem Rochelle, a respeito do marido Julius, soa de maneira familiar. Na história, Julius têm jornada dupla de trabalho, se divide entre jornaleiro e segurança para sustentar a mulher e três filhos. A rotina do pai de família da ficção não é fácil, mas no Brasil ela não é fantasia e faz parte da realidade de 48% da população, segundo levantamento feito pelo Ibope.

A pesquisa mostra que, tanto o segundo emprego como o popular “bico”, foram as alternativas para muitos brasileiros driblarem a crise econômica, e fazerem de qualquer tempo livre ou hobby, oportunidade para ganhar dinheiro. A economista Carla Sarny, 42 anos, tem duas fontes de renda: uma gerada pelo trabalho de economista, e outra, da venda de bolos e doces que ela prepara. Ela afirma que a segunda ocupação vem para sanar gastos extras, sem precisar recorrer ao orçamento. “O bico é um velho amigo das pessoas. A diferença é que antes ele era algo presente na vida de quem precisava complementar o salário por necessidade, mas hoje o cenário é outro. Muitos profissionais encontraram em uma segunda ocupação, um meio financeiro para realizar sonhos e gastos extras, como viajar, reformar a casa, trocar o carro e até empreender”, diz a economista.

O vendedor Gustavo Bravo, 32 anos, está no ramo há 15 anos. Em 2011, a empresa em que ele trabalhava fez uma readequação em seus rendimento, o que resultou em uma perda salarial de 40%. Para não comprometer o orçamento, ele optou por ter um segundo trabalho: vender roupas.

A ideia deu tão certo que Gustavo trocou a informalidade do “bico” pela abertura de uma loja de roupas, que atende exclusivamente pessoas que, assim como ele, buscam aumentar a renda, por meio de um segundo trabalho. Hoje, Gustavo conta com 50 revendedoras, e passou de sacoleiro para empresário. “A minha primeira motivação foi a financeira. Depois foi a visão de ter meu próprio negócio. Hoje, graças a este trabalho, posso realizar os meus sonhos e de meus colaboradores”, afirma.

Quando não sobra dinheiro no fim do mês e as contas apertam, a solução é buscar alternativas para o orçamento respirar aliviado, ou até para tornar realidade aqueles velhos projetos esquecidos na gaveta, que demandam mais gastos. Tempo é dinheiro, mas também é convívio com a família, bate-papo com os amigos e saúde. Tempo é algo caro, raro, que não se compra, e tempo perdido, é tempo perdido.

Por Kelê Louis em 19/04/2018 às 23:59