Autoconhecimento

A importância da tristeza

A tristeza é um convite para olhar para dentro e sentir as emoções e sentimentos que foram deixados de lado ao longo da vida

Estamos vivendo um momento da história da humanidade marcado pela negação da tristeza. Existe uma ditadura explícita da felicidade onde temos a obrigação de estarmos felizes o tempo todo. São vários livros de autoajuda, sites, vídeos da internet, capas de revistas, programas de treinamento, retiros e até mesmo em consultórios médicos que provocam uma verdadeira avalanche de informações com dicas e sugestões para alcançar a tão sonhada felicidade.

Com isso, aprendemos que temos a obrigação de sermos felizes. Caso contrário, sua existência não vale a pena. Assim, vamos passando feito tratores por cima das nossas verdadeiras emoções. Esmagando os sentimentos, triturando tudo e jogando pra debaixo do tapete, com a falsa sensação de que foi resolvido. Fazemos isso com praticamente todos os sentimentos. Desde aquela raiva que sentimos quando estamos em uma determinada situação, até a tristeza que nos abate quando lembramos de algumas situações do passado. Aprendemos em algum momento da vida que precisamos ser fortes o tempo todo.

Por isso, temos a ideia errônea de que acessar qualquer tipo de sentimento pode demonstrar fragilidade. Quantas vezes ouvimos que “homem de verdade não chora”? Ou então, uma amiga falando pra outra, “não fique assim, levante a cabeça e pare de chorar”.

Nosso ser não é feito apenas de um corpo físico e um lado racional. Somos seres movidos por emoção também. E quanto mais esta emoção é colocada de lado, mais forte ela se torna lá na frente. Quanto menos acessada, mais distorcida ela se apresenta em algum momento da vida. O resultado catastrófico deste quadro de epidemia de depressão de hoje é o reflexo de toda a nossa história de emoções não vividas, de sentimentos não acessados. Evoluímos tanto, mas ainda temos medo de sentir. Talvez por falta de treino.

A tristeza é um convite para olhar para dentro. É um grito por atenção, de desespero, pedindo para o mergulho ser feito para dentro de nós mesmos. São as emoções escondidas, jogadas para debaixo do tapete, implorando para serem sentidas, vividas, choradas e entendidas. E nós fazemos isso? Não. Preferimos nos entupir de remédio. Uma pesquisa realizada ano passado pela IMS Health revelou que a venda de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceu 18,2% no Brasil, totalizando um comércio que gerou R$ 3,4 bilhões.

O que você faz quando está triste? Junta os amigos para ir para a balada? Enche a cara? O melhor caminho para driblar esta situação é fazer a viagem interior. Olhe para dentro de você. Se tranque no quarto e sinta. Deite a cabeça no travesseiro e chore. Tente ouvir essa voz que grita aí dentro de você. O que essa tristeza quer dizer? Grite. Seja como for, mas sinta. Procure a ajuda de um profissional se perceber que não consegue fazer o mergulho sozinho, mas não desista. Vai valer a pena.

 

 

Por Thiago Guimarães em 09/11/2017 às 23:58
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