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Justiça social: como estimular que ela saia do papel e concretize soluções de desenvolvimento comunitário

Artigo escrito por Fernanda Toledo

Apesar de proclamado pela Assembleia das Nações Unidas em 2007, o Dia Mundial da Justiça Social, dia 20 de fevereiro, traz um caminho repleto de curvas e de espaços a serem preenchidos. A data, estipulada para que se promova a conscientização de igualdade entre os povos, respeito às diversidades culturais e promoção do desenvolvimento social, traz à tona um debate incansável: de que forma é possível estimular que os povos se integrem e se desenvolvam simultaneamente?

Historicamente, sabemos que esse desenvolvimento não pode ser feito única e exclusivamente por grupos isolados. Da mesma forma, esperar que a solução para esse crescimento seja oferecida por um “salvador” externo não é uma situação real. É necessário que se entenda que o desenvolvimento só é sustentável se for construído em todas as esferas da sociedade, de maneira coletiva, e que precisa da participação de todos os envolvidos para que se instaure e seja permanente.

Em que medida cada setor da sociedade depende desse desenvolvimento? Que interesses governo, empresas e sociedade civil defendem, e como eles podem se articular? Em que medida cada setor pode contribuir para conquistar o almejado bem comum?

Apesar de parecer utopia, há no Brasil casos de sucesso dessa articulação. O município de Eusébio, localizado na região metropolitana de Fortaleza (CE), é um deles. O diferencial conquistado pelo município está justamente na participação popular nos processos decisórios. Em projetos co-criados entre comunidade civil, empresas e município, com mediação do terceiro setor, uniram forças para estruturar ações que reverberam para a população como um todo. A implantação da coleta seletiva foi uma dessas conquistas recentes na cidade. Intermediada pela Fundação Alphaville, a mobilização liderada pela associação de catadores de materiais recicláveis gerou profissionalização, captação de recursos com o setor privado, promoção da conscientização popular pela Educação Ambiental e retirada de mais de 630 toneladas de resíduos no primeiro ano, gerando aumento de 100% na renda mensal dos catadores, se comparado ao início do projeto.

Apesar de significativo, o incremento de renda não foi o principal diferencial conquistado pelos catadores. A partir da melhoria nas condições de saúde e higiene, promovida por um ambiente organizado de coleta, houve a redução no número de acidentes de trabalho e da necessidade por atendimento na saúde municipal. Em 2017, um convênio entre associação de catadores e Prefeitura Municipal foi firmado a fim de que a coleta seletiva se tornasse um serviço oficial na cidade, garantindo renda mensal fixa e benefícios ao grupo de catadores associados.

O sucesso na articulação entre os setores público, privado e sociedade civil trouxe visibilidade para a atuação da associação e já rendeu um reconhecimento pelo Selo Benchmarking, certificação oferecida pelo Instituto Mais que premia as melhores práticas sustentáveis do ano por todo o país. Como saída para as desigualdades, não há o mito do grande herói. A conquista de um passa a ser a luta de todos e assim o senso de justiça se torna mais palpável.

Fernanda Toledo é gerente de Sustentabilidade da Fundação Alphaville.

Por Da Redação em 01/03/2018 às 18:26