Artigos

Vamos discutir Política?

Artigo escrito por João Paulo Vani, presidente da Academia Brasileira de Escritores

Nos dias atuais, as redes sociais dão voz àqueles que propõem discussões cujo script é a dualidade das torcidas de futebol, não é segredo, com experts que brotam de todos os lugares e, com seus achismos muitas vezes catastróficos, espalham ódio e preconceito e incentivam a violência nos canais que fartamente chegam aos computadores e smartphones do cidadão comum.

Ao analisarmos os últimos episódios de nossa dinâmica trama globalizada, que envolve terrorismo, racismo, separatismo, xenofobia e antissemitismo, destaco a situação política na Áustria, terra de Hitler: a perigosa ascensão do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema-direita e de legado Nazista, chegando ao núcleo duro do poder, após ter sido convidado para negociações para coligação com o governo, podendo exercer grande influência sobre o líder conservador Sebastian Kurz.

Discutir o Nazismo e seus ecos não é agradável ou fácil ou leve, mas no momento em que brasileiros, com visão reducionista, classificam Hitler e seu movimento nazista como um movimento de esquerda em busca de capital político para a nossa novíssima ultra direita, é hora de fazermos um alerta: o assunto não é raso e passa por questões históricas como a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e a matriz da dualidade esquerda-direita no contexto pré-Revolução Francesa, com as posições na Assembleia Nacional daquele país: à direita, clero e nobreza; à esquerda, burguesia, camponeses e trabalhadores urbanos. Hoje, a situação é bem diferente.

Hitler e o Nazismo alemão não eram de esquerda. Nem Mussolini e o Fascismo italiano. Nem o Nacionalismo espanhol de Franco. “Ah, mas o Partido chamava Nacional Socialista”. Sim, chamava. Entretanto, a questão não é ideologia ou terminologia –como muitos querem fazer crer, e sim político-militar.

Não existe beleza ou virtude em regimes totalitários, nem de esquerda, nem de direita: se de um lado, as atrocidades do Holocausto jamais poderão ser esquecidas, de outro, os líderes Comunistas como Lênin, Stálin e Trotsky, na União Soviética e Pol Pot no Camboja, foram igualmente sanguinários, responsáveis por milhões de mortes, inclua-se aí o Holodomor, o genocídio ucraniano perpetrado pela União Soviética. Nas Américas, podemos destacar as atrocidades de Fidel Castro e Augusto Pinochet, líderes totalitaristas cruéis, situados em lados opostos do espectro político-ideológico.

É necessário que a discussão política novamente encontre espaço na sociedade, gerando reflexão e possibilidades de argumentação de ambos os lados. Somente assim poderemos formar cidadãos com pensamento crítico.

João Paulo Vani é presidente da Academia Brasileira de Escritores. Aluno de doutorado do Programa de Pós-graduação em Letras da Unesp/S. J. Rio Preto.

 

Por Da Redação em 31/10/2017 às 22:42
JK Essencial Residence