Artigo Político (Wilson Romano Calil)

O corporativismo

Artigo escrito por Wilson Romano Calil

Di-lo o dicionário: defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional; espírito de corpo ou de grupo.

Caprio, que escreveu um magnífico livro, relata que o imperador da China aceitou os conselhos do general Ming Tian e sob o comando deste, que era conhecido pela crueldade, mobilizou trezentos mil trabalhadores para a construção de uma muralha cuja serventia era proteger a China.

Pronta a bobagem monumental, promoveu uma reunião na qual elogiava a maravilhosa ideia que teve na construção que tornava a China inexpugnável.

A seguir, ofereceu a palavra a quem quisesse fazer uso. Foi, então, que um outro general disse que o imperador e o cruel Ming Tian não perceberam que eles haviam construído uma prisão e, a partir daí, os habitantes mudavam da categoria de cidadãos, para prisioneiros.

O imperador mandou prender o general Ming Tian, o construtor, que suicidou-se na prisão.

Sob certo aspecto, o Brasil, desde a descoberta, as capitanias hereditárias, do império, e da proclamação da República, vem construindo corporativismos dos quais não se vê saída e eles representam cânceres da nacionalidade.

Vem se construindo, desde a descoberta, a proclamação da república, e a consolidação de outros poderes várias muralhas político-administrativas, a do Poder Executivo, a do Poder Judiciário, a do Poder Legislativo, todos dominados pelo corporativismo.

O corporativismo é como um jogo, do qual a nossa maior inteligência, Rui Barbosa, disse: “Aquele que entra pela algibeira e é a lepra do vivo e o verme do cadáver”.

Ele, o corporativismo, está em todos os lugares. Um exemplo: um deputado federal ganha trinta e cinco mil reais por mês, pode nomear vinte e cinco assessores ganhando doze mil reais por mês, dos quais, muitos seguram uma parte a título de manter o escritório político. Têm mil regalias, auxílio-moradia, convênio de saúde, auxílio-transporte, alimentação, vestuário, viagens e continuam a tê-los mesmo após o cumprimento do mandato.

Constituem uma elite, mas a coisa não para por aí, o prezado leitor sabia que o Brasil possui quinze mil e quatrocentos sindicatos?

Os Estados Unidos possuem mil e duzentos, a Inglaterra, duzentos.

Pensem no que isso representa de gastos para o Brasil.

JR Guzzo, jornalista publicou na semana, na revista Veja, o seguinte: “A intenção era fazer o bem, está sendo feito o mal em estado puro. O deputado Nelson Marquesan, em pronunciamento no Congresso disse: “A Justiça do Trabalho deu aos trabalhadores oito bilhões de reais num ano e, para o seu funcionamento, gastou dezessete bilhões”. Isso levou o deputado a concluir que, então, seria melhor ela não existir.

Exemplo igual não existe em nenhum país do mundo.

Essa Justiça Trabalhista é acessível a, apenas, quarenta por cento da população.

A Justiça Trabalhista gasta noventa por cento do orçamento com o salário dos seus três mil e quinhentos juízes, mais os desembargadores.  

Continua o jornalista Guzzo, para dizer que o Supremo Tribunal Federal, com onze ministros, tenha três mil funcionários, isto é, trezentos para cada ministro.

Consome vinte e cinco milhões de reais em alimentação para seus funcionários.

Chega a pagar quatrocentos mil a seiscentos mil reais mensais a seus ministros aposentados.

Termina o jornalista por dizer, tudo pode querer o leitor, só não pode querer que um negócio desses funcione.

Leitor, nunca diga que isso é uma imoralidade.

Você será processado e, quem vai processá-lo, vai exibir leis mostrando que tudo o que acontece tem base legal. Só mudaria com o voto a favor de um Projeto que extinguisse os privilégios. Acha você que um deputado iria votar contra os interesses dele próprio?

O dia que você perceber que está aprisionado por uma muralha jurídica, o único remédio seria rezar porque só se muda tudo isso através de leis que seriam votadas pelos interessados em que o câncer continue.

 

Wilson Romano Calil é médico, advogado, professor, orador, escritor e ex-prefeito de Rio Preto.

Por Wilson Romano Calil em 03/11/2016 às 22:52
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