Artigo Político (Wilson Romano Calil)

O piloto

Artigo escrito por Wilson Romano Calil

  O nome dele era Aladir, no colo da mãe olhava deslumbrado para o céu e acompanhava com os olhos miúdos, as aeronaves que se dirigiam ao aeroporto que, na época, era chamado de “campo de aviação”. Foi crescendo e o deslumbramento ia aumentando.

Incrível, inexplicável no dia em que foi ao “campo de aviação”, olhou em derredor, não viu ninguém, entrou no avião, ligou o contato, a máquina pegou (entrou em funcionamento), deslizou pela pista, puxou o manche, a aeronave subiu, sobrevoou a cidade várias vezes, e depois aterrissou. Parou no estremo distal da pista, pois viu pessoas aglomeradas no início dela. Saiu correndo em direção a uma capoeira vizinha do campo. Tinha, então, doze anos, jamais havia entrado em um avião. Ele era um menino pobre que morava no bairro Eldorado. – “Quem foi?” – “Quem não foi?”. Sempre há alguém que vê e identifica – “Aquele menino é o filho do Tito, aquele que gosta de violão e briga de galo”. A partir daí carregou pela vida toda o apelido de piloto. Na vida, foi uma pessoa dos sete instrumentos: músico, eletricista, encanador, mecânico, consertador de relógios, operador e mantenedor de máquinas. Foi chefe de oficina de uma agência da Volkswagen que, em certa época, enviou-o a São Paulo para fazer um curso. Na volta, trouxe uma carta da direção da Volks que recomendava não perdê-lo, pelo talento que tinha e que eles tudo fizeram para que permanecesse na fábrica. Mas, ele se negou.

Consertava e abria qualquer fechadura, qualquer cofre, isso acabou colocando-o numa lista de suspeitos e foi parar no Carandiru.

Os advogados Wanderley Romano Calil, o promotor Walter Simardi e o advogado Antônio Luiz Pimentel conseguiram livrá-lo. Era amigo de todos, mas seu ídolo era o Pimentel, seu amigo e seu compadre.

Um dia procurou o compadre para lhe dizer que estava insatisfeito com o mundo, que iria se matar.

Com ele, o compadre conversou horas para dissuadi-lo. Três anos depois, suicidou-se lá no Eldorado. Era o ano de 1977.

Em seus humílimos pertences, encontrou-se um projeto de engenharia mecânica em que ele mostrava a possibilidade de se construir um veículo de câmbio mecânico que a um toque, ainda que, em movimento, se transformava em automático.

Só em 2011 que, o que ele previu em 1977 apareceu na indústria automobilística. O piloto morreu, ou melhor, voou. A NASA identificou lá pelos lados da constelação da Ursa Maior um objeto voador não identificado.

Não era não. Era a alma do piloto voando rumo ao infinito. Tenho um amigo que é espírita, ele me disse ter certeza de que o piloto já tinha vivido outras vidas e que, na penúltima, ele viveu na França, onde seu nome era Antoine de Saint Exupéry, um cara que escreveu um folheto chamado O Pequeno Príncipe, uma joia universal e que era piloto.

 

Wilson Romano Calil é médico, advogado, professor, orador, escritor e ex-prefeito de Rio Preto.

Por Wilson Romano Calil em 22/09/2016 às 22:15
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