Agência Brasil

Dois secretários na mira da Câmara

Grupo que apoiou governo de Valdomiro Lopes quer controlar as secretarias municipais de Trânsito e Serviços Gerais

 

A saída da secretária de Educação, Elisabeth Somera, que deixou o cargo justificando “motivos pessoais” provocou reação instantânea na Câmara de Rio Preto, principalmente entre os vereadores aliados do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB) que entenderam a renúncia dela ao cargo como uma oportunidade e, nos bastidores, passaram a pedir a “cabeça” dos secretários de Trânsito, Marcos Apóstolo, e de Serviços Gerais, Ulisses Ramalho de Almeida.

O motivo para a pressão por uma reforma do secretariado seria a suposta demora de ambas as pastas em atender solicitações dos vereadores, que preferem ver aliados políticos comandando as duas secretarias. O principal motivo alegado pelas duas secretarias para a lentidão nos trabalhos é o mesmo usado pelas demais pastas – a queda na receita. As duas secretarias são consideradas “fortíssimas” do ponto de vista político-eleitoral, uma vez que são responsáveis por serviços muito solicitados pela população como tapa-buraco, recapeamento, construção de lombadas, limpeza de terrenos e sinalização de trânsito. Por conta disso, os parlamentares tentam aumentar a influência nessas pastas para atender demandas em seus redutos.

A ideia do grupo é “barganhar” a substituição dos secretários oferecendo apoio em votações a favor do Executivo, principalmente em questões consideradas importantes pelo governo. “Eles (grupo de Valdomiro) não têm o compromisso que nós (base aliada) temos com o prefeito. Por isso, vão tentar sempre negociar as votações levando algum tipo de vantagem”, afirmou um vereador governista sob a condição de anonimato. Para fechar o apoio do grupo na Câmara – que hoje conta com oito parlamentares – o prefeito Edinho Araújo (PMDB) teria de substituir o comando de ambas as pastas com nomes indicados pelos parlamentares, mas o chefe do Executivo tem resistido às pressões nesse sentido.

Líderes do grupo, Fábio Marcondes (PR) e Paulo Pauléra (PP) negam, no entanto, que exista esse tipo de pressão nos bastidores. “Eu sou Rio Preto Futebol Clube. Voto a favor das coisas boas para a cidade”, repete Pauléra sobre seu atual posicionamento na Casa. Diante dos recados que chegam do prédio ao lado, a ordem do prefeito seria de resistir às investidas do grupo o quanto der. O governo avalia que seria “precoce demais” promover uma reforma no secretariado menos de um mês após completar 100 dias de gestão, o que poderia gerar uma crise política até mesmo na relação com os vereadores aliados. 

Educação

Apesar da alegação da ex-secretária de que a decisão pela saída teve motivação pessoal, um servidor da Educação confirmou à Gazeta que havia um levante de diretores de escolas municipais contrários a ela. O grupo chegou a mandar recado ao prefeito avisando que uma greve de diretores estava sendo articulada, o que teria acelerado o processo de saída.Porém, vereadores da base aliada afirmam que a rebelião na secretaria até então comandada por Elisabeth foi insuflada pelo grupo de Valdomiro. “Como vereador, a gente pode trabalhar para abafar ou para aumentar uma crise. Eles escolheram colocar fogo no picadeiro”, disse outro parlamentar.Com a saída da secretária, Israel Cestari Júnior passou a acumular interinamente a pasta da Educação junto a de Planejamento, a qual ele já comandava.

Crédito: Alex Pelicer/Gazeta de Rio Preto

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Por Ademir Terradas em 27/04/2017 às 23:59